Elen Viana – Rios de Notícias
PARINTINS (AM) – O Boi-Bumbá Caprichoso abriu a terceira e última noite do 59º Festival Folclórico de Parintins, neste domingo (28/6), com o subtema “O Brinquedo da Resistência Canta: Norte Brasil — Chão de Bravos”, encerrando o tema de 2026, “Brinquedo que Canta seu Chão”. Em uma apresentação marcada pela essência do brincar de boi, o Touro Negro da América permaneceu na arena por 2h26.
Ao longo do espetáculo, o Caprichoso expandiu sua narrativa para toda a região Norte, retratando-a como um território de lutas, coragem e resistência. Por meio de um brinquedo forjado pelas perdas, pelos silêncios e pelas invisibilidades sociais, o bumbá exaltou a identidade cultural de um povo que ressignificou a própria história.
Com a tradicional contagem do mestre Bacuri, Raimundo Fernandes, e do apresentador Edmundo Oran, ambos defendendo o item 1, teve início a apresentação azulada. Ao som da toada “Pode Avisar”, a galera do Caprichoso fez o Bumbódromo estremecer e manteve a animação durante toda a noite.

Representando o item 10, Edson Azevedo Jr, evoluiu ao som da toada “Brinquedo do Povo”, em uma homenagem às tradicionais festas juninas do Nordeste. A apresentação também fez referência a Marquinhos Azevedo, um dos maiores artistas e mais marcantes “tripas” da história do Caprichoso.
O Amo do Boi, Caetano Medeiros, item 6, apresentou um tema que reforçou a ideia de que o boi é construído por muitas mãos. Um dos momentos mais emocionantes foi sua participação ao lado do filho, Theo Medeiros, que entrou na arena com um boi de papelão, remetendo às brincadeiras de infância e emocionando os torcedores.
Lenda amazônica
A Lenda Amazônica foi representada pela alegoria “Nhaçã Hekã — Macacos Comedores de Gente”, assinada por Geremias Pantoja. Com 20 metros de altura, a estrutura surpreendeu o público pelos efeitos cênicos e pela grandiosidade, reunindo macacos gigantes, cobras, sapos, seres místicos e o jovem guerreiro Maricá.

Do alto de um grande gavião surgiu Marciele Albuquerque, Cunhã-Poranga, item 9. Ao som das toadas “Maracás do Rio Negro” e “Guerreira das Lutas”, ela evoluiu acompanhada por guerreiros indígenas, destacando a força da representatividade indígena no festival. Ao lado do Pajé Erick Beltrão, evidenciou a luta dos povos originários, com destaque para o povo Xingu.

No item Toada, Letra e Música, Patrick Araújo, item 2, interpretou “Viva a Cultura Popular”, composição de Guto Kawakami, Geovane Bastos e Adriano Aguiar, lançada em 2012. A performance emocionou a torcida azulada.
A Rainha do Folclore, Cleise Simas, item 8, surgiu de uma grande estrela e fez sua evolução ao som do carimbó, acompanhada por dançarinos, em uma apresentação vibrante que exaltou um dos ritmos mais tradicionais da região Norte.
Figura Típica Regional
Na Figura Típica Regional, o Caprichoso apresentou “As Farinheiras da Amazônia”, criação dos artistas Makoy Cardoso e Nei Meireles. A alegoria homenageou as mulheres que mantêm viva a tradição da produção da farinha de mandioca, um dos principais símbolos da cultura amazônica. Durante o quadro, Vanessa Alfaia dividiu o palco com Patrick Araújo em um dueto.
Representando o item 5, a Porta-Estandarte Marcela Marialva evoluiu ao som da toada “Deusa do Amor”, em uma apresentação que exaltou a força e a importância das mulheres farinheiras.
Auto do Boi
O Auto do Boi foi apresentado por meio da alegoria “O Auto do Boi Brasileiro”, assinada por Brás Lira, em uma homenagem à cultura popular brasileira. O espetáculo reviveu a história de Pai Francisco e Mãe Catirina, em que a morte e a ressurreição do boi simbolizam a renovação da vida e a restauração da harmonia, além de celebrar a tradição do Bumba Meu Boi.
Do centro da alegoria surgiu Valentina Cid, Sinhazinha da Fazenda, item 7. Em uma apresentação delicada, ela tocou violoncelo antes de evoluir ao som da toada “Leveza de Sinhá”, marcada pela elegância e sensibilidade.
Ritual indígena
O Ritual Indígena de Iniciação “Xamânica Xikrin M-Bêngôkre Xikrin” teve início com uma alegoria de 23 metros de altura, assinada por Jucelino Ribeiro, composta por grandes aranhas e um gavião-real. Dela surgiu o Pajé Erick Beltrão, item 12, que evoluiu ao som da toada “Mothokari”.
Em uma das apresentações mais impactantes da noite, uma figura inspirada em um jaguar surgiu durante o ritual, subindo ao palco praticável e realizando saltos que acompanharam a evolução do pajé, reforçando a atmosfera mística do espetáculo.
A apoteose do Caprichoso aconteceu ao som das toadas “O Couro Vai Comer” e “Sentimento Caprichoso”, encerrando a apresentação com emoção e exaltando as cores do Touro Negro da América. O espetáculo teve duração de 2h26 e foi concluído quatro minutos antes do tempo máximo permitido pelo regulamento.






