Elen Viana – Rios de Notícias
PARINTINS (AM) – O Boi Garantido encerrou a segunda noite do 59º Festival Folclórico de Parintins, na madrugada deste domingo, 28/6, com o espetáculo “Parintins, Portal da Diversidade”, apresentado ao longo de 2h27min em uma celebração à inclusão e à conexão entre diferentes povos, culturas e saberes da Amazônia.
O boi conduziu o público por um manifesto artístico que exalta a floresta como um imenso portal de conexão ancestral, unindo histórias, ritos, lendas e mitos sob o signo da união entre todos os povos.
Com “perrechologia”, a Galera Encarnada movimentou as arquibancadas e deu início ao “Portal da Diversidade”, obra assinada por Mingo Cardoso. Após a tradicional contagem e a abertura conduzida pelo Apresentador Israel Paulain, o Garantido revelou a alegoria de uma grande oca tribal, símbolo da conexão entre os povos e da compreensão de que, apesar das diferenças, somos todos parentes.

O Amo do Garantido, João Paulo Farias, trouxe a filha de Lindolfo Monteverde, Maria do Carmo Monteverde, como representante da tradição do bumbá, e a bisneta de Lindolfo, Lara Monteverde, a Mãe Catirina, reforçando a importância de passar o legado para as novas gerações. Durante sua apresentação, também fez referência ao apresentador Paulinho Faria, seu tio, ao utilizar um megafone em homenagem ao artista.
Da parte central da alegoria, o Garantido chegou ao Bumbódromo acompanhado da vaqueirada. O tripa Denison Piçanã evoluiu ao som das toadas do compositor Tadeu Garcia, que faleceu neste ano, como “Segunda Evolução” e “Terceira Evolução”, além das toadas “Evolução do Garantido” e “Vendaval de Amor”.
Jeveny Mendonça, Porta-Estandarte, item 5, surgiu da parte superior da alegoria representando a cabocla amazônica.

A estreante no Festival, Raíra Lins, Sinhazinha do Garantido, item 7, evoluiu com a toada “Sinhazinha do Meu Boi”.
Um dos pontos altos da apresentação foi a participação do Balé Folclórico da Bahia, que dançou a toada “Quilombo da Baixa”. A coreografia, assinada por José Carlos Arandiba, o Zebrinha, reforçou a identidade afro-indígena do Quilombo da Baixa da Xanda.
Lenda Amazônica
A lenda amazônica “Kamara” surgiu de forma grandiosa na arena. O módulo alegórico representa a grande onça-mãe ancestral e criadora do povo Kamarayana, carregando uma narrativa ligada à espiritualidade indígena. Na lenda, a entidade é considerada a própria floresta viva, o sopro primordial da criação. Seu rugido teria dado origem ao trovão e à vida na Terra.

Com uma interpretação emocionante de David Assayag, a voz da Amazônia, ecoou na arena a toada “Kamara”. Ele disputou o item Letra e Música, que avalia a qualidade poética e a composição rítmica das canções.
De uma grande serpente, surgiu Isabelle Nogueira, Cunhã-Poranga, defendendo o item 9. Ela evoluiu ao som da toada “Deusa Cunhã” e trouxe um módulo alegórico representando a onça ancestral.

Figura típica regional
Disputando o item 6, João Paulo Farias, em seu verso, surgiu caracterizado como coletor regional, ressaltando o respeito à floresta Amazônica e a preservação do meio ambiente. Representando a Figura Típica Regional, a alegoria “Coletores da Amazônia – Povo do Jamaki”, do artista Emerson Guerreiro, trouxe esculturas de coletores da floresta, destacando a sabedoria milenar dos povos e comunidades tradicionais da Amazônia, que ensinam ser possível coletar recursos naturais de forma coletiva sem destruir a floresta.
Da alegoria dos coletores, chegou Lívia Christina, Rainha do Folclore, representando o item 8 como símbolo da diversidade.
Durante a apresentação do Garantido, a chuva começou a cair no Bumbódromo, mas a Galera Encarnada permaneceu animada. As Tuxauas evoluíram ao som da toada “Sawé, A Resposta Somos Nós”, defendendo o item 14.
Ritual indígena
O ritual indígena foi apresentado pela alegoria “Espíritos Guardiões”, do povo Hexkaryana. A obra, assinada por Ozéas Bentes, trouxe representações do portal dos espíritos e dos seres que o habitam, revelando a profunda conexão espiritual desse povo. Para os Hexkaryana, os Pajés são mediadores entre o mundo dos vivos e o mundo espiritual.
Adriano Paketá, defendendo o item 12, transmutou-se em uma arara-vermelha. Ele representou o guardião dos conhecimentos ancestrais, conduzindo a encenação dos seres que protegem a aldeia, realizam os rituais de cura e mantêm o equilíbrio entre as forças que regem a vida.
Na apoteose, o boi da Baixa do São José encerrou a segunda noite ao som da toada “Pode Remar”, com muita animação de Israel Paulain e da Galera Encarnada. O espetáculo teve duração de 2h27min.






