Jhonatans Andrade em especial para Rede Rios de Comunicação
PARINTINS (AM) – O Boi Caprichoso inicia sua trajetória no Festival Folclórico de Parintins 2026 levando para a arena o espetáculo “O brinquedo do povo canta: Parintins – o chão de origem”, primeiro ato do tema “Brinquedo que Canta seu Chão”. A apresentação propõe uma viagem pelas raízes da ilha, destacando que o “chão” vai além do território físico: representa memória, ancestralidade, pertencimento, resistência e identidade cultural.
A proposta artística da primeira noite transforma a arena em um grande espaço de celebração da história de Parintins, exaltando a formação do povo amazônico, a força das comunidades tradicionais, dos povos indígenas, da população negra e dos trabalhadores que ajudaram a construir a identidade cultural da ilha. O Caprichoso reafirma sua trajetória como um boi que nasceu do povo e que utiliza a arte como instrumento de valorização da Amazônia e de defesa de suas culturas.
Dentro deste contexto, o subtema “O brinquedo ancestral canta: Amazônia – o chão da vida” conduz uma sequência de alegorias e encenações que evidenciam a riqueza cultural e espiritual da floresta.
Figura Típica Regional
A primeira grande alegoria apresenta “O Brincador de Boi-Bumbá de Parintins”, assinada pelos artistas Preto e Paulo Pimentel, com aproximadamente 25 metros de altura.
A figura presta homenagem aos homens e mulheres que mantêm viva a tradição do boi-bumbá. São os brincadores, músicos, dançarinos, artistas e apaixonados que transformam a manifestação popular em patrimônio cultural. A alegoria simboliza o povo que faz o espetáculo acontecer e reforça a ideia de que o verdadeiro protagonista da festa é a comunidade parintinense.

Lenda Amazônica
Representando o universo dos encantados, o Caprichoso leva para a arena a alegoria “Cobra Grande – A Deusa da Encantaria”, criada pelo artista Alex Salvador, com 20 metros de altura.
Inspirada em uma das mais conhecidas narrativas da tradição amazônica, a Cobra Grande surge como entidade sagrada das águas e símbolo da força feminina da encantaria. A alegoria promete unir efeitos cênicos, movimento e elementos visuais que representam o poder dos rios amazônicos, ressaltando a relação espiritual entre os povos da floresta e os seres encantados.

Exaltação Indígena
A cultura dos povos originários ganha destaque com o Módulo Alegórico Içado “Monstro correntão”, desenvolvido pelo artista Nildo Costa, com 12 metros de altura.
O correntão é considerado uma das técnicas mais agressivas de desmatamento da Amazônia. Utilizando uma pesada corrente presa entre dois tratores, o método derruba árvores, destrói a vegetação e devasta grandes áreas da floresta em poucos minutos. Símbolo da expansão predatória sobre os territórios amazônicos, o correntão representa a violência contra a biodiversidade, os povos da floresta e os ciclos naturais que garantem o equilíbrio ambiental.

Ritual Indígena
Um dos momentos mais aguardados da noite será o Ritual de Iniciação Wat-Amã, concebido pelo artista alegórico Algles Ferreira, poderá chegar a 25 metros de altura.
O ritual promete transformar a arena em um espaço sagrado de passagem, representando cerimônias de iniciação presentes em tradições indígenas amazônicas. A apresentação deve combinar coreografias, efeitos visuais, alegorias e elementos cênicos para retratar o fortalecimento espiritual, a transmissão dos conhecimentos ancestrais e a conexão entre os jovens iniciados, seus antepassados e os espíritos da floresta.

O chão onde nasce o Caprichoso
Ao longo de toda a apresentação, o Boi Caprichoso reforça que Parintins é mais do que o lugar onde nasceu: é o território onde sua identidade foi construída. O espetáculo celebra as diferentes matrizes que formaram o povo parintinense — indígenas, negros, ribeirinhos, migrantes e trabalhadores — mostrando que cada canto da ilha guarda histórias de resistência, memória e pertencimento.
A narrativa também destaca o papel do Caprichoso como manifestação cultural que ultrapassa o entretenimento. Na visão apresentada, brincar de boi é preservar a memória coletiva, afirmar direitos culturais e transformar a arte em instrumento de valorização dos povos amazônicos.






