Redação Rios
MANAUS (AM) – O calor intenso registrado em Manaus exige atenção especial dos tutores de cães braquicefálicos, especialmente com a previsão de temperaturas ainda mais elevadas nos próximos meses. Segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a capital amazonense começou setembro com o dia mais quente do ano, cenário que aumenta os riscos para animais que possuem características anatômicas capazes de dificultar a respiração e a regulação da temperatura corporal.
Conhecidos popularmente como cães de focinho achatado, os braquicefálicos possuem vias respiratórias mais curtas e estreitas. Essa condição faz com que tenham mais dificuldade para dissipar o calor, principalmente durante atividades físicas ou quando permanecem em ambientes quentes. Em situações extremas, um simples passeio nos horários inadequados pode provocar um quadro grave de superaquecimento.
A médica veterinária Ádria Camila Souza da Silva, do Centro de Especialidades Cirúrgicas e Veterinárias (CECV), explica que a própria anatomia dessas raças contribui para a maior sensibilidade às altas temperaturas.
“Pug, Buldogue Francês, Shih Tzu, Affenpinscher, Lhasa Apso, Cane Corso, Pequinês e Boston Terrier são alguns dos que se enquadram na lista. A anatomia das vias aéreas dessas raças faz com que haja uma limitação natural na passagem de ar. Como a regulação térmica dos cães não ocorre pela transpiração e sim por meio da respiração ofegante, essa limitação anatômica dos cães braquicefálicos dificulta a dissipação do calor, aumentando a possibilidade de superaquecerem. E, em casos extremos, isso pode levar a óbito”, explica a especialista.

Cuidados durante os dias quentes
Para reduzir os riscos, os tutores devem adotar medidas preventivas principalmente nos períodos de maior calor. Manter o animal em local fresco, arejado e protegido do sol, evitar exercícios intensos e escolher horários mais amenos para os passeios estão entre as principais recomendações.
Também é importante garantir acesso constante à água fresca e manter uma alimentação adequada. O acompanhamento veterinário regular é outro cuidado essencial, especialmente no caso de animais que já apresentam dificuldades respiratórias.
Ádria, que é especializada em cirurgia oncológica e reconstrutiva e em videocirurgia em pequenos animais, destaca que o acompanhamento desses cães pode identificar alterações que exigem tratamentos específicos, inclusive procedimentos cirúrgicos.
Cirurgias podem melhorar a respiração
Em alguns casos, intervenções corretivas podem ser indicadas para ampliar a passagem de ar pelas vias respiratórias. Entre os procedimentos estão a rinoplastia e a estafilectomia.
Segundo a veterinária, a rinoplastia realizada nesses animais tem finalidade funcional, e não estética. O procedimento busca ampliar os orifícios nasais, facilitando a entrada e a saída de ar. Já a estafilectomia consiste na retirada do excesso de tecido do palato mole, estrutura localizada na região posterior do céu da boca que pode contribuir para a obstrução das vias respiratórias.
“Às vezes é preciso recorrer a cirurgias corretivas para melhorar a respiração dessas raças, a exemplo de rinoplastia e estafilectomia”, afirma Ádria.
Dependendo da avaliação clínica, os dois procedimentos podem ser realizados de maneira associada. A indicação, entretanto, deve ser feita individualmente, levando em consideração as características e as condições de saúde de cada animal.
A especialista ressalta ainda que os problemas respiratórios não estão necessariamente relacionados apenas às altas temperaturas. Alguns cães braquicefálicos podem apresentar dificuldades para respirar mesmo em condições climáticas mais amenas, o que reforça a importância do acompanhamento profissional.
“Apesar do período de calor ser ainda mais sufocante, há situações em que eles também passam mal na rotina diária, mesmo sem altas temperaturas. Por isso, é sempre indicado que os tutores procurem profissionais com experiência no acompanhamento clínico e cirúrgico para entenderem qual a melhor estratégia para garantir a qualidade de vida dos amigos de quatro patas. Todo cuidado é fundamental para que essas raças consigam viver com bem-estar”, finaliza.
*Com informações da Assessoria






