Lauris Rocha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – A capital amazonense amanheceu pelo quarto dia consecutivo encoberta pela fumaça das queimadas neste domingo, 11/10, em meio ao agravamento da crise ambiental no Amazonas e aos impactos registrados em outros estados da região Norte.
Diante do cenário, os ministros Waldez Góes (Integração e do Desenvolvimento Regional) e João Paulo Capobianco (Meio Ambiente e Mudança do Clima) participam de reunião com representantes de órgãos estaduais no Centro Integrado de Comando e Controle (CICC), em Manaus, para alinhar ações de enfrentamento aos incêndios florestais e à estiagem.
O encontro também tem a presença do governador Roberto Cidade e ocorre em um momento de pressão sobre as autoridades e da necessidade de articulação entre os governos federal e estadual para ampliar a capacidade de resposta à crise.
“Como o comandante falou a gente ao invés de usar o tempo para botar fogo, tem que usar o tempo para apagar o fogo. Então o colega que teve a infelicidade talvez, de dizer isso (rusgas entre governos) tem que deixar e botar fogo e apagar o fogo. Agora e hora de todo mundo se unir para apagar o fogo”, disse o ministro Waldez Góes no sábado (10) à imprensa.
Ainda no sábado (10), o Amazonas recebeu seis aeronaves enviadas pelo Governo Federal, por meio do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), para reforçar as operações de combate ao fogo.
A frota inclui três aviões Air Tractor AT-802, com capacidade para transportar até 3 mil litros de água cada, um Air Tractor AT-502, com capacidade para 1,8 mil litros, e dois helicópteros destinados ao transporte de brigadistas e suprimentos para áreas de difícil acesso. Mais duas aeronaves devem chegar nos próximos dias.

Segundo o governo estadual, o reforço atende a uma demanda apresentada pelo Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM), que solicitou apoio aéreo para alcançar regiões onde as dificuldades de acesso terrestre e fluvial limitam a atuação das equipes.
“Estamos recebendo o apoio do Governo Federal, em uma articulação do governador Roberto Cidade junto ao presidente Lula”, afirmou o comandante-geral do CBMAM, coronel Orleiso Muniz, ressaltando o aumento dos focos de incêndio em áreas onde o combate depende do emprego de aeronaves.
Amazonas contabiliza 782 focos de calor
O reforço federal se soma às ações já desenvolvidas pelo Governo do Amazonas por meio da Operação Amazonas+Verde. Atualmente, cerca de mil servidores e brigadistas estão mobilizados em 33 municípios, com equipes voltadas ao combate direto aos incêndios e ao atendimento de ocorrências em áreas isoladas.

Segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o estado registrou 782 focos de calor entre 1º de setembro e 8 de outubro de 2026. O número evidencia a dimensão do desafio operacional em um território marcado por grandes distâncias e dificuldades logísticas.
Como medida preventiva, o governo estadual estabeleceu um período de 120 dias de proibição do uso do fogo, ressalvadas as exceções previstas na legislação. As ações também incluem fiscalização ambiental e monitoramento das áreas com maior incidência de focos de calor.
Disputa sobre apoio federal
A chegada das aeronaves ocorre em meio a questionamentos sobre a relação entre os governos e a oferta de ajuda para enfrentar os incêndios. O Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas negou que o Estado tenha recusado apoio federal e informou que formalizou um pedido de auxílio em 18 de setembro, reiterado em reunião por videoconferência no dia 25 do mesmo mês.
Segundo o CBMAM, a prioridade apresentada foi o envio de aeronaves, consideradas essenciais para alcançar focos de incêndio em regiões de difícil acesso.

A corporação também esclareceu que o Plano RESPAD prevê o deslocamento de bombeiros militares de outros estados, condicionado à disponibilidade e à autorização dos respectivos governos estaduais. Portanto, a mobilização desse efetivo não depende exclusivamente de uma decisão direta da União.
O episódio evidencia a importância da coordenação entre as diferentes esferas de governo diante de uma crise que exige recursos, logística e resposta rápida. O governo estadual afirma permanecer aberto à cooperação federal e municipal para ampliar as ações de enfrentamento às queimadas.
Combate ao fogo exige resposta integrada
Além do envio de aeronaves, as autoridades mantêm operações de campo e fiscalização para coibir o uso irregular do fogo. A estratégia inclui monitoramento dos focos de calor, deslocamento de equipes e direcionamento de recursos para os municípios mais afetados.

Com Manaus novamente encoberta pela fumaça e centenas de focos de calor registrados nas últimas semanas, o desafio das autoridades vai além do combate imediato às chamas: envolve conter novos incêndios, reduzir os impactos ambientais e proteger a saúde da população.
A reunião deste domingo coloca em evidência a necessidade de coordenação entre Brasília e o governo estadual para enfrentar a estiagem e as queimadas, enquanto a população convive com os efeitos da deterioração da qualidade do ar.






