Caio Silva – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O prefeito de Manaus, Renato Junior (Avante), afirmou nessa quinta-feira, 17/9, que a fumaça que encobriu a capital não tem origem em Manaus. Segundo ele, o material teria sido trazido de outras regiões, incluindo o Sul do Amazonas, Mato Grosso e Rondônia.
A declaração foi dada durante a inauguração da USF Tereza de Jesus Frota, após questionamento de um jornalista. Renato Junior disse que informações do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) apontam que a fumaça seria proveniente dessas áreas.
“Manaus não gera fumaças. De acordo com o INPE, essas fumaças são atingidas no sul do Amazonas, também do Mato Grosso, também de Rondônia”, afirmou.
O prefeito também citou a atuação de uma frente fria, que teria contribuído para o deslocamento da fumaça em direção à capital. “Essa fumaça não é oriunda de Manaus”, declarou.
Leia também: Manaus tem segundo dia seguido com qualidade do ar ‘muito ruim’
Incêndios aumentam em Manaus
Embora a declaração atribua a origem da fumaça a outras regiões, dados do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) mostram aumento no número de incêndios registrados em Manaus em 2026.
Entre janeiro e 9 de agosto, foram contabilizadas 1.230 ocorrências de incêndio na capital, contra 486 no mesmo período de 2025. O crescimento foi de aproximadamente 153%.
Do total registrado neste ano, 666 ocorrências foram em áreas urbanas e 564 em vegetação e áreas florestais. No mesmo período de 2025, foram 353 incêndios urbanos e 133 em áreas florestais.
O aumento mais expressivo ocorreu justamente nos incêndios em áreas de vegetação e florestais. Os registros passaram de 133, em 2025, para 564, em 2026, uma alta de aproximadamente 324%.
Somente nos dois primeiros finais de semana de agosto, o CBMAM contabilizou 223 ocorrências de incêndios em vegetação e áreas florestais: 106 entre 31 de julho e 2 de agosto e outras 117 entre 7 e 9 de agosto.
Os dados mostram, portanto, que houve aumento significativo dos registros de incêndios na capital, embora esses números, isoladamente, não indiquem que esses focos sejam a origem da fumaça que atingiu Manaus.
Fumaça volta a encobrir a capital
Nesta sexta-feira, 18, Manaus amanheceu novamente sob uma camada de fumaça. O cenário foi registrado em diferentes pontos da cidade, com céu encoberto, redução da visibilidade e aumento da concentração de partículas no ar.
O aplicativo SELVA também registrou, nesta sexta-feira, pontos da capital com qualidade do ar classificada como Muito Ruim, principalmente na Zona Sul e em áreas próximas à orla do Rio Negro.
Na quinta-feira, 17, a Prefeitura de Manaus informou que a concentração média de partículas finas MP2,5 chegou a 94,7 µg/m³, índice classificado como “Muito Ruim”. Segundo o município, a fumaça era proveniente de áreas de queimadas na região metropolitana, principalmente de Itacoatiara, Careiro da Várzea, Iranduba e Manacapuru.
O cenário ocorre durante o período de queimadas no Amazonas e em meio ao aumento dos registros de incêndios em Manaus ao longo de 2026.






