Andreza Maria Cunha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – A Justiça Eleitoral determinou, nesta quinta-feira, 17/8, o prosseguimento do inquérito que apura uma possível compra de votos envolvendo a campanha de reeleição de David Almeida (Avante) à Prefeitura de Manaus, em 2024. Atualmente, David não ocupa mais o cargo de prefeito e disputa o Governo do Amazonas nas eleições de 2026.
A decisão foi assinada pelo juiz Antônio Itamar de Sousa Gonzaga, da 2ª Zona Eleitoral de Manaus. O magistrado também rejeitou, neste momento, a mudança do processo para outra instância por causa de um possível foro por prerrogativa de função.
O documento afirma que a análise ocorreu diante de um “eventual envolvimento” de David Almeida, que era prefeito e candidato à reeleição quando os fatos aconteceram. O ex-prefeito, porém, não aparece na decisão indiciado ou condenado.
Segundo a Justiça, as condutas investigadas estariam relacionadas, em tese, à “negociação, promessa e distribuição de valores a lideranças religiosas ou eleitores” durante a campanha eleitoral. O Ministério Público Eleitoral defendeu que o caso permanecesse na 2ª Zona Eleitoral e que as investigações continuassem. O entendimento foi aceito pelo juiz.
Relembre o caso
A investigação começou após a prisão em flagrante dos pastores Flaviano Paes Negreiros e Werter Monteiro Oliveira, no dia 26 de outubro de 2024, às vésperas do segundo turno das eleições municipais.
Os dois foram encontrados pela Polícia Federal no centro de convenções de uma igreja evangélica, na Zona Norte de Manaus. Durante a ação, os agentes apreenderam cerca de R$ 21 mil em espécie. O dinheiro estava dividido em envelopes brancos numerados. Também foi encontrada uma lista com assinaturas de eleitores.
Conforme informações do inquérito divulgadas na época, os religiosos teriam afirmado que receberam R$ 38 mil de uma pessoa ligada à campanha de David Almeida. Parte do dinheiro já teria sido distribuída na noite anterior à operação.
Os pastores negaram que o objetivo fosse comprar votos. Eles disseram que o dinheiro seria dividido entre pastores e obreiros para ajudar nas despesas de uma convenção religiosa. Os dois pagaram fiança e passaram a responder em liberdade.
Sem ligação comprovada com a Prefeitura
Na nova decisão, o juiz explicou que, apesar de os fatos terem ocorrido quando David Almeida exercia o cargo de prefeito, ainda não há elementos que relacionem a suposta prática às funções exercidas por ele na Prefeitura de Manaus.
Até o momento, segundo o documento, não foi demonstrado o uso de programas sociais, dinheiro público, contratos administrativos, servidores municipais ou da estrutura da prefeitura no suposto esquema.
Por esse motivo, o magistrado entendeu que não existe fundamento para retirar o caso da primeira instância. A 2ª Zona Eleitoral continuará supervisionando o inquérito e foi mantido o prazo concedido anteriormente para a conclusão das investigações.
A decisão ressalta que essa competência poderá ser analisada novamente se surgirem provas de uso das funções, dos recursos ou da estrutura do Município de Manaus.
Depois do fim do prazo, a Polícia Federal deverá apresentar as informações sobre o andamento do inquérito. Na sequência, o processo será encaminhado novamente ao Ministério Público Eleitoral.
David Almeida deixou a Prefeitura de Manaus em 31 de março de 2026 para disputar o Governo do Amazonas. O cargo foi assumido pelo então vice-prefeito Renato Junior. A candidatura de David foi oficializada pelo Avante em julho.
O processo tramita sob o número 0600044-07.2024.6.04.0002. Caberá à Polícia Federal e ao Ministério Público Eleitoral apurar a possível participação de cada pessoa nos fatos.
A reportagem procurou a assessoria de David Almeida para saber se ele tinha conhecimento da investigação e se gostaria de se manifestar sobre o caso. Até a publicação deste texto, não houve resposta. O espaço permanece aberto para eventual posicionamento.






