Júnior Almeida – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O candidato ao Senado Ismael Munduruku (Rede) afirmou que o ex-governador Wilson Lima poderá ser um “futuro presidiário” caso não seja eleito para o Senado. A declaração foi feita durante debate promovido pelo Grupo Norte de Comunicação, nesta quinta-feira, 17/9.
Em uma das falas, Ismael classificou a gestão de Wilson como “assassina” ao citar a crise de oxigênio enfrentada pelo Amazonas durante a pandemia de Covid-19.
“Eu quero dizer que nós não precisamos levar para o Senado, não podemos levar um governo assassino para lá. Não podemos levar um governo que assassinou pessoas quando não trouxe oxigênio para o nosso Estado”, declarou Munduruku.
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Ismael afirmou que candidatos poderiam buscar uma vaga no Senado para obter imunidade parlamentar. Sem citar Wilson Lima (União) nominalmente, disse que havia entre os concorrentes um “futuro presidiário”.
“Não podemos mandar para lá pessoas que querem ser senador pela imunidade parlamentar e para não ir para a cadeia, porque nós temos aqui um futuro presidiário se perder a eleição para o Senado. E eu quero ver essa pessoa presa para pagar pelos crimes que cometeu”, disparou.
A crise citada por Ismael ocorreu em janeiro de 2021, quando Manaus enfrentou o colapso no abastecimento de oxigênio para pacientes internados com Covid-19.
O Ministério Público Federal sustenta que União, Estado e Município tiveram omissões na condução da crise e, em 2025, a Justiça Federal determinou medidas relacionadas à investigação do caso.
Wilson Lima foi alvo de investigações e se tornou réu no Superior Tribunal de Justiça (STJ) no âmbito da Operação Sangria, que apura, entre outras denúncias, fraude na compra de respiradores.
Vacância do Governo e denúncia
Em outro momento do debate, Ismael direcionou questionamentos a Roberto Cidade, que assumiu o Governo do Amazonas após a renúncia de Wilson Lima e do então vice-governador Tadeu de Souza para disputar as eleições.
Cidade era presidente da Assembleia Legislativa do Amazonas antes de chegar ao Executivo estadual.
Ismael resgatou uma antiga acusação feita pela deputada Joana Darc na tribuna da Assembleia Legislativa em 2020, quando ela afirmou que deputados teriam recebido R$ 200 mil para votar em Roberto Cidade na eleição para presidente da Mesa Diretora.
“Nós sabemos quanto custa um voto na Assembleia Legislativa para eleger um presidente da Assembleia Legislativa. Duzentos mil reais foi o que a deputada Joana citou no plenário da Assembleia Legislativa”, disse Ismael.
Ismael questionou o processo que levou Cidade ao comando do Estado. “Agora eu quero saber, o Amazonas quer saber quanto custou a vacância, quanto custou a vacância e o que motivou entregar o cargo ao atual governador”, declarou.
Wilson responde durante o debate
Durante o debate, Wilson Lima teve direito de resposta sobre as declarações de Munduruku. Na manifestação, o ex-governador explicou a decisão de deixar o cargo e disputar uma vaga no Senado.
Wilson afirmou que, inicialmente, permaneceria no Governo do Amazonas, mas que a renúncia do então vice-governador Tadeu de Souza mudou o cenário e lhe deu tranquilidade para deixar o Executivo estadual.
“No momento em que eu disse que eu permaneceria enquanto governador era o cenário que se apresentava, mas com a renúncia do vice Tadeu me deu a tranquilidade de dar esse importante passo para que eu pudesse disputar o Senado”, declarou.
Segundo Wilson, a saída do Governo não representaria o encerramento de sua atuação no Amazonas.
“Não porque minha missão no Estado do Amazonas acabou, pelo contrário, eu quero estar em Brasília para poder dar continuidade aos programas que foram criados no nosso governo”, reiteirou.
Wilson rebate acusação sobre respiradores
Wilson também respondeu às críticas relacionadas à compra de respiradores durante a pandemia. Ao comentar o episódio, classificou como “fake news” a versão de que os equipamentos teriam sido adquiridos pelo Estado em uma loja de vinhos.
“Essa foi uma fake news que a velha política inventou ao longo dos anos de que o Estado teria comprado equipamentos numa loja de vinhos”, afirmou.
O ex-governador disse ainda que a empresa responsável pela venda possuía CNAE que, segundo ele, permitia atividades relacionadas à importação de diferentes produtos.
“Na verdade, essa é uma empresa que tem um CNAE para importar desde produtos alimentícios a equipamentos hospitalares”, declarou.
Wilson também afirmou estar tranquilo em relação aos processos que tramitam no Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Debate para o Senado
O debate entre os candidatos ao senado realizado pelo Grupo Norte de Comunicação nesta quinta, 17/9, reuniu seis dos nove candidatos para o cargo. Entre eles Capitão Alberto Neto (PL), Eduardo Braga (MDB), Ismael Munduruku (REDE), Plínio Valério (PSDB), Professora Evany (PSOL) e Wilson Lima (UNIÃO).






