Caio Silva – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Trabalhadores terceirizados responsáveis por serviços de limpeza, conservação, higienização, asseio e jardinagem em escolas municipais de Manaus denunciam atraso no pagamento do salário referente ao mês de agosto, além da falta de vale-transporte e vale-alimentação.
Segundo os funcionários, o pagamento deveria ter sido realizado até o quinto dia útil, em 8/9. Uma semana depois, porém, a empresa Silva Serviços Combinados ainda não havia informado uma previsão para regularizar os salários.
Relatos enviados ao Portal RIOS DE NOTÍCIAS apontam que o atraso compromete o deslocamento dos funcionários até as unidades de ensino e o pagamento de despesas básicas. Os trabalhadores também afirmam que os problemas seriam recorrentes.
Segundo os denunciantes, mais de 200 funcionários estariam sem receber. O número, conforme os relatos, seria ainda maior se fossem considerados trabalhadores que já deixaram a empresa por meio de rescisão indireta.
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Trabalhadores relatam dificuldades
Os funcionários afirmam que os atrasos têm prejudicado a rotina e o deslocamento até as escolas.
“Nós, funcionários da Silva Serviços Combinados, estamos enfrentando constantes atrasos e falta de pagamentos. Até o momento, muitos trabalhadores estão sem receber o salário referente ao mês de agosto, além de estarem sem vale-transporte, vale-alimentação e outros benefícios”, relatou um trabalhador que preferiu não se identificar por medo de represálias.
Outra funcionária afirmou que acumula contas devido à falta de pagamento. “Eu moro de aluguel, pago água, luz, está tudo atrasado. Eles não respondem às mensagens dos funcionários e não atendem o telefone. Hoje já mandei mensagem, mas sem sucesso”, relatou.
Prints enviados à reportagem mostram funcionários cobrando a empresa por informações sobre os pagamentos. Em uma das conversas, uma trabalhadora afirma que situações semelhantes teriam ocorrido em meses anteriores.
“A história se repete. Todo mês passamos essa humilhação. E sinal que não somos valorizados”, afirmou um dos denunciantes.



Escolas estariam sem funcionários
De acordo com os trabalhadores, a empresa atua em diversas unidades da zona Leste de Manaus. Entre elas estão as escolas municipais Divino Pimenta Faleiros, Nossa Senhora Aparecida, Maria Ferreira da Silva, Themistocles Pinheiro Gadelha, Francinete Rocha Brasil, Jorge de Resende Sobrinho e Dr. Olavo das Neves, além da Creche Municipal Maria Luiza da Conceição Silva.
Os funcionários afirmam que algumas unidades estariam com número reduzido de trabalhadores ou até sem profissionais em determinados períodos por causa dos atrasos.
“Tem algumas escolas que já estão sem funcionários desde a semana passada. Aí o nosso encarregado vai na escola que tem funcionário e leva para outra escola que não tem ninguém”, afirmou um trabalhador.
Segundo os relatos, a empresa teria informado que os salários seriam pagos após o quinto dia útil de setembro. Até o momento, porém, os funcionários afirmam que os valores não foram depositados e que não receberam uma nova previsão.
Diante da situação, os trabalhadores avaliam realizar uma mobilização e até paralisar as atividades caso os pagamentos não sejam regularizados.
Denúncias trabalhistas
Além do atraso nos salários e da falta de benefícios, os trabalhadores relatam possíveis irregularidades relacionadas aos depósitos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), pagamento de férias e repasses de empréstimos consignados descontados dos contracheques.
“Não depositando FGTS, não paga férias, nosso empréstimo é descontado no contracheque, mas a empresa não repassa para o banco e meu nome foi para o SPC Serasa”, denunciou uma funcionária.
Atrasos no FGTS
Prints apresentados por um dos trabalhadores à reportagem mostram registros de depósitos do FGTS realizados em atraso.
Segundo as imagens, os atrasos chegam a cerca de quatro meses. No extrato referente a agosto de 2026, por exemplo, consta um lançamento de R$ 132,42, registrado em 18 de agosto como depósito em atraso. O valor seria referente ao mês de junho.

No extrato de julho, também aparece um depósito de R$ 132,42, realizado em 13 de julho e identificado como recolhimento em atraso. Conforme o documento, o valor seria referente ao mês de maio.

Os registros também apontam outros depósitos classificados como realizados em atraso, indicando que a situação teria ocorrido em meses consecutivos.
Segundo um dos trabalhadores, mais de 200 funcionários estariam sem receber.
“São mais de 200 funcionários sem receber, isso porque tem muitos colegas que entraram com rescisão indireta. Desde o ano passado teve funcionários que entraram com rescisão indireta, até hoje não recebem. Tem funcionário que tinha três a quatro meses [de atraso], pediu para sair por falta de pagamento e benefícios e até hoje não viu a cor do dinheiro”, afirmou.
Contratos com a Prefeitura
Dados do Portal da Transparência da Prefeitura de Manaus mostram que a Silva Serviços Combinados para Apoio a Edifícios Ltda. mantém ou manteve contratos com órgãos municipais.
Entre eles está o Contrato nº 047/2023, firmado com a Secretaria Municipal de Educação (Semed), no valor de R$ 11,23 milhões, para a prestação de serviços de limpeza, conservação, higienização, asseio e jardinagem em unidades escolares e administrativas.

A empresa também aparece em contratos com a Secretaria Municipal de Finanças e Tecnologia da Informação (Semef), no valor de R$ 912,1 mil, e com o Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb), de R$ 484,5 mil.
Posicionamento
O Portal RIOS DE NOTÍCIAS entrou em contato com a Silva Serviços Combinados, a Prefeitura de Manaus e a Secretaria Municipal de Educação (Semed) para esclarecer as denúncias sobre atrasos salariais, falta de benefícios, depósitos do FGTS e demais questões trabalhistas.
Até a publicação desta matéria, não houve retorno. O espaço permanece aberto para manifestação.






