Kataryne Dias – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Uma criança de 1 ano e 11 meses morreu no sábado, 5/9, após receber atendimento no SPA Joventina Dias e ser encaminhada ao Hospital e Pronto-Socorro da Criança Zona Oeste, em Manaus.
A família de Ágatha Luna Rodrigues do Nascimento questiona as circunstâncias da morte e cobra esclarecimentos sobre o diagnóstico, os medicamentos administrados e os procedimentos realizados antes da parada cardiorrespiratória.
Segundo o pai da criança, Jonatan Eduardo, Ágatha começou a apresentar febre, mas continuava se alimentando e brincando normalmente. Como o sintoma persistiu, os pais decidiram procurar atendimento médico.
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De acordo com o relato do pai, a menina foi examinada, recebeu medicamentos e acabou liberada. No dia seguinte, porém, os sintomas teriam retornado. Ágatha passou a apontar para a barriga e demonstrar vontade de vomitar. Como ainda não conseguia falar, utilizava gestos para indicar o local onde sentia dor.
A família procurou novamente uma unidade de saúde. Conforme Jonatan, a criança recebeu novos medicamentos e apresentou melhora inicialmente.
“Ela estava reagindo normal. Eu levei ela porque eu estava preocupado com ela. Porque, no começo, ela estava apenas com febre, né? Só que essa febre não queria passar. Eu falei para minha mulher: ‘Vou levar ela para o hospital, então. Vamos ver o que ela tem’”, relatou.
Transferência para o Hospital da Criança
Segundo Jonatan, durante um dos atendimentos, os profissionais teriam informado que a unidade não contava, naquele momento, com profissionais com experiência suficiente para atender a criança.
Ainda conforme o pai, Ágatha recebeu soro e medicamentos antes de ser encaminhada ao Hospital e Pronto-Socorro da Criança, onde permaneceria em observação para investigação do quadro.
“Eles falaram que não tinham um profissional adequado para atender ela porque a grande parte dos profissionais não tinha experiência com criança, nem pediatria. Então, pegaram, deram soro para ela e colocaram umas medicações nela e falaram: ‘Ela vai para o pronto-socorro da criança, porque ela vai ficar em observação para poder saber o que ela tem’”, afirmou.

Criança é intubada e sofre parada cardiorrespiratória
Após chegar ao Hospital e Pronto-Socorro da Criança, Ágatha recebeu atendimento e posteriormente foi intubada. Segundo o pai, antes dos procedimentos, a menina ainda reagia e interagia com a mãe.
A família afirma que não recebeu informações detalhadas sobre um diagnóstico definido ou sobre todos os medicamentos administrados naquele momento.
De acordo com Jonatan, pouco depois, a criança sofreu uma parada cardiorrespiratória. O pai relata que entrou na área de atendimento após a mãe deixar o local e encontrou a equipe realizando massagem cardíaca na menina.
“Não deu cinco minutos, eu falei: ‘Amor, vou lá dentro, vou olhar a nenê de novo’. Quando entrei, ele já estava fazendo uma massagem cardíaca nela, logo depois de ter aplicado essa injeção. Ela estava toda agoniada. Aí pegaram e me tiraram de lá de dentro”, relatou.
Os familiares questionam a sequência do atendimento e buscam esclarecimentos sobre o diagnóstico, os medicamentos administrados e os procedimentos realizados antes da morte da criança.
Pai relata discussão com médica
Após a morte da filha, segundo Jonatan, os familiares questionaram uma médica sobre os medicamentos utilizados e a condução do atendimento.
O pai afirma que a profissional teria dito que não tinha obrigação de prestar esclarecimentos à família e que a responsabilidade pelo atendimento era dela.
Ainda conforme o relato, a discussão teria se intensificado e a médica teria pedido que os familiares deixassem o local. Jonatan também afirma que houve ameaças durante o episódio.
“Ela ameaçou eu, a minha mulher, a mamãe e quem estava lá. Ela estava expulsando todo mundo. Nós fomos questionar, e ela pegou e falou: ‘Eu não tenho obrigação de dar resposta para vocês. A profissional aqui sou eu’”, afirmou.
Secretário e SES-AM se manifestam
Em nota, o secretário de Estado de Saúde do Amazonas, Luis Alberto Saraiva, lamentou a morte da criança e manifestou solidariedade aos familiares.
Segundo a SES-AM, Ágatha recebeu atendimento nos dias 2, 3 e 5 de setembro. Nos dois primeiros atendimentos, realizados no SPA Joventina Dias, a criança apresentava febre e vômitos e foi medicada. A secretaria afirma que exames solicitados no primeiro atendimento não foram realizados porque o acompanhante não autorizou.
No dia 5, a menina retornou à unidade com piora do quadro, desidratação, insuficiência respiratória e sinais de choque, sendo transferida para o Hospital e Pronto-Socorro da Criança da Zona Oeste.
Conforme a pasta, Ágatha chegou ao hospital às 5h30 em estado grave e evoluiu para infecção generalizada, choque séptico e parada cardiorrespiratória. Apesar das tentativas de reanimação, o óbito foi constatado às 12h40. A declaração de óbito apontou septicemia, pneumonia e gastroenterite como causas da morte.
A SES-AM informou ainda que os registros do prontuário indicam que a criança já chegou ao hospital em estado grave e negou qualquer conduta desrespeitosa por parte dos profissionais envolvidos no atendimento.
O secretário afirmou que o caso está sendo investigado pelas instâncias competentes e que a secretaria está prestando apoio à família.
“Reafirmamos nosso compromisso com a verdade, a transparência e, acima de tudo, com o respeito à família e à memória da criança”, afirmou Luis Alberto Saraiva.






