Caio Silva – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – A interdição de trechos de ruas para as obras da primeira “Rua Gastronômica” de Manaus provocou críticas entre comerciantes e trabalhadores da região Central da capital. Os bloqueios começaram na quarta-feira, 26/8, e, segundo os empresários, já afetam o movimento e o acesso aos estabelecimentos.
Consultados pelo Portal RIOS DE NOTÍCIAS nesta quinta-feira, 27, trabalhadores relataram queda nas vendas, redução no fluxo de clientes, dificuldades para acesso e falta de comunicação prévia sobre as intervenções realizadas pela Prefeitura de Manaus.
Os bloqueios alteraram a circulação em trechos das ruas 10 de Julho, Ramos Ferreira, José Clemente e Lobo D’Almada. O trecho entre as ruas 10 de Julho e Ramos Ferreira foi interditado durante a execução dos serviços, com acesso restrito a pedestres.
“Foi uma completa falta de respeito”, diz empresária

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A proprietária de um estabelecimento na região, Soraya Lopes, afirmou que os comerciantes não foram comunicados previamente sobre o início das obras.
“Em nenhum momento as empresas foram comunicadas, seja verbalmente, seja por e-mail. A Prefeitura não nos comunicou, o Implurb não nos comunicou. Para minha surpresa, cheguei um dia para trabalhar aqui e estava um palco montado e anunciado. Então isso foi uma completa falta de respeito”, afirmou.

Segundo Soraya, a Rua Ferreira Pena reúne diferentes tipos de atividades comerciais e não apenas bares e restaurantes. Para ela, a intervenção deveria considerar a rotina de empresas, moradores e trabalhadores que dependem da circulação na região.
“A Ferreira Pena tem toda uma história, é um escoamento do Centro de Manaus de tráfego de veículos. Existem imobiliárias, laboratórios, loja de piscina e outros estabelecimentos. Então não dá para tratar a rua como se tivesse apenas uma atividade comercial”, ressaltou.
Comerciantes relatam queda nas vendas
A empresária afirma que os impactos econômicos já começaram a ser sentidos pelos estabelecimentos.
“Vai ter um impacto econômico grandioso. Uma empresa do nosso porte, uma empresa de pequeno porte, uma empresa familiar, vai sentir. Nós já estamos tomando medidas para nos adaptar, estamos divulgando pela internet e elaborando um marketplace, mas já senti ontem. Ontem nosso faturamento despencou. Em um dia”, relatou.

Soraya também questionou como clientes, funcionários e fornecedores terão acesso aos estabelecimentos durante o período de obras.
“Nós estamos fazendo a entrevista tranquilamente aqui, não passa um veículo, a rua está fechada. Então como essas pessoas vão chegar? É preciso pensar em uma alternativa para quem trabalha e precisa continuar funcionando durante a obra”, afirmou.
Para ela, um diálogo prévio com os comerciantes poderia ter ajudado a reduzir os impactos da intervenção.
“A Ferreira Pena não é só um ponto turístico ou gastronômico. Tem moradores, empresas e trabalhadores que dependem diariamente da circulação de pessoas e veículos para manter seus negócios”, destacou.
‘Estou invisível aqui’, diz vendedor
O feirante Juvenal Azevedo, de 64 anos, afirma trabalhar na região há décadas e diz que o fechamento da via dificultou a chegada dos clientes.
Segundo ele, a mudança também provocou perda de mercadorias e comprometeu a rotina de trabalho.
“Ninguém sabe, eu estou invisível aqui, ninguém me vê. Eu queria que alguém fizesse alguma coisa, porque eu já sou um cara de idade, estou deficiente da minha mão e não tenho outra opção. Aqui fica mais fácil para mim porque o depósito onde a gente guarda as coisas fica pertinho. Então eu preciso continuar aqui, mas está complicado”, relatou.

Juvenal também afirmou que as alterações no trânsito afastaram consumidores que costumavam passar pela região.
“Os clientes do Centro que compram aqui não veem, vão por outro lado e não vão vir para cá comprar. Eu estou praticamente aqui porque estou fazendo minha missão, não posso parar. Eu vivo disso aqui e tenho família para sustentar”, afirmou.
O feirante disse que continua trabalhando, mas que as vendas caíram desde o início das intervenções.
“Eu estou trabalhando, mas não estou vendendo nada, porque o trânsito ficou muito, muito, muito forçado. Não tem como o freguês parar. Até aquela rotatória da Lobo D’Almada foi fechada”, disse.
Vendedor espera melhora após obras
Sivaldo Dias, de 75 anos, trabalha com café da manhã e lanches e também percebeu a redução no movimento desde o início das intervenções.
Apesar das dificuldades, ele mantém a expectativa de que a obra possa beneficiar os comerciantes após a conclusão.
“Por enquanto está ruim porque fecharam aqui a entrada, não passa quase ninguém mais aqui. Hoje está fraco porque começaram a fazer o trabalho ontem. Tem pouco cliente, está devagar. Todo começo é assim, mas eu acredito que para frente vai melhorar. Quando terminar e ficar organizado, acredito que vai beneficiar a gente”, afirmou.

O vendedor reconhece, porém, que o momento é de dificuldade para quem depende do fluxo de pessoas na região.
“No presente está devagar. A gente começou a sentir isso agora, porque começaram ontem. Hoje o movimento está fraco, tem pouco cliente chegando. Mas eu acredito que no futuro vai melhorar para todo mundo. O que a gente precisa é de organização no Centro”, destacou.
Interdição também preocupa instituições
A intervenção também deve afetar instituições instaladas na região. Avelino Rodrigues, diretor-executivo da Aliança Francesa, afirmou que o fechamento da via pode dificultar o acesso de alunos, visitantes e representantes consulares.
“A gente vai prejudicar um pouco, devido aos clientes sempre estacionarem em frente à instituição. Também com visitas consulares, que sempre estacionavam em frente, isso vai prejudicar um pouco o nosso serviço. É uma situação que vai exigir adaptação, porque o acesso das pessoas à instituição acaba ficando mais complicado com a rua interditada”, afirmou.

Para Avelino, faltou planejamento e diálogo antes do início da intervenção. “Faltou planejamento por parte da Prefeitura. Nós não entendemos por que fizeram isso sem uma consulta pública. Deveriam ter consultado não só os moradores, mas todas as pessoas que trabalham no local”, criticou.
Segundo ele, comerciantes e instituições poderiam ter se organizado com antecedência para minimizar os impactos. “Se tivéssemos sido comunicados com antecedência, poderíamos pensar em alternativas para minimizar os impactos e orientar nossos alunos e visitantes”, afirmou.
Outro ponto de preocupação é o prazo para conclusão dos serviços. Segundo Avelino, existe receio de que eventuais atrasos prolonguem os prejuízos.
“Vai prejudicar um pouco, ainda mais no início das obras. A gente não sabe de fato que dia termina. Foi anunciado um prazo até 15 de novembro, e isso nos preocupa, porque precisamos saber quanto tempo vamos ficar nessa situação e como vamos trabalhar durante esse período”, ressaltou.
Posicionamento
O Portal RIOS DE NOTÍCIAS entrou em contato com a Prefeitura de Manaus e com o Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb) para obter esclarecimentos sobre as reclamações dos comerciantes e os impactos das intervenções.
Até a publicação desta matéria, não houve retorno. O espaço permanece aberto para manifestação.






