Júnior Almeida – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – A morte do médico ultrassonografista Waldir Rodrigues Junior, nesta semana, provocou forte reação entre profissionais da rede pública estadual de saúde. Em um vídeo divulgado nas redes sociais, a médica pediatra Adriana Lima afirmou que a categoria vive um cenário de “colapso”.
Segundo ela, o motivo seriam os atrasos nos pagamentos dos profissionais de saúde e defendeu que os médicos realizem uma paralisação em solidariedade ao colega e como forma de pressionar o Governo do Amazonas.
No depoimento, Adriana diz acreditar que a morte de Waldir, encontrado sem vida em casa, pode estar relacionada ao desgaste emocional enfrentado pelos profissionais.
“Eu acredito, ao meu ver, que já passou da hora de haver uma paralisação da categoria. Todos nós estamos passando por um colapso por não poder cumprir com os nossos compromissos”, afirmou.
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Ainda na gravação, a pediatra cita atrasos nos repasses às empresas médicas, dificuldades financeiras enfrentadas pelos profissionais e a falta de insumos na rede estadual de saúde.
“E a gente continua vendo aí o quê? Propagandas e mais propagandas de seu Roberto Cidade, de seu Wilson Lima, buscando suas reeleições, gastando o dinheiro que a gente sabe que é um dinheiro público. São denúncias e mais denúncias de enriquecimento ilícito de suas empresas, e nós continuamos sem pagamento”, desabafa.
Adriana também cobra posicionamento do Conselho Regional de Medicina do Amazonas (CRM-AM), do Sindicato dos Médicos e das empresas prestadoras de serviço sobre o caso. “Uma Andorinha só não faz verão, não faz. E a Andorinha tá aqui, esperando a atitude das outras.”
Veja vídeo:
Prefeito cita morte de médico
Durante coletiva de imprensa realizada nessa terça-feira, 21/7, o prefeito de Manaus, Renato Junior (Avante), criticou a gestão do governador Roberto Cidade (União) ao comentar a morte do médico Waldir Rodrigues.
Segundo o prefeito, o médico estaria há oito meses sem receber pelos serviços prestados à rede estadual de saúde.
“Eu estou aqui indignado com o que está acontecendo. Acabei de receber as imagens, tive as informações da morte de um médico, do Balbina Mestrinho. Radiologista. Oito meses sem receber”, declarou.
A manifestação ocorreu enquanto Renato comentava a crise envolvendo o Passe Livre Estudantil e a greve dos rodoviários. Durante o pronunciamento, ele ampliou as críticas à condução da saúde pública estadual.
“Você [Roberto Cidade] não faz isso porque você não deve apenas os alunos da rede pública estadual. Você deve também os médicos que estão no 28 de Agosto. Você deve os enfermeiros, os maqueiros, os agentes de portaria”, afirmou.
Médico grava áudio e relata exaustão com plantões
Antes de vir a óbito, o médico Waldir Junior gravou um áudio em que relata a exaustão e dificuldades enfrentadas na rotina de trabalho, incluindo problemas relacionados às escalas de plantão e ao não pagamento por serviços prestados.
“Eu atendi a Cristiane lá em Manacapuru, eu fiz exame dela. Aí conversei com ela, falei com ela que eles não me mandaram mais nenhum plantão esse final de semana. Aí agora vem dizer que o plantão tá no meu nome lá? É horrível isso, cara. Tapar buraco, entendeu?”, disse o médico no áudio.
Na gravação, Waldir critica a gestão estadual e cita o ex-governador Wilson Lima. “Esse é o governador Wilson Lima, o que restou desse, desses calhordas, entendeu? Do Wilson Lima. Acabou com os médicos de Manaus”, afirmou.
Ouça áudio:
Sem respostas
A reportagem solicitou posicionamento da Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM) sobre as declarações da médica Adriana Lima, as falas do prefeito Renato Junior e a situação dos pagamentos dos profissionais da rede estadual.
Até a publicação desta matéria, não houve resposta. O espaço permanece aberto para manifestação.






