Júnior Almeida – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Quatro dias após trabalhadores denunciarem demissões em massa na Secretaria de Estado de Assistência Social (SEAS-AM), uma nova denúncia semelhante ocorre na Secretaria de Estado do Desporto e Lazer (Sedel).
Um ex-colaborador informou ao Portal RIOS DE NOTÍCIAS, que vários trabalhadores terceirizados estariam sendo desligados em um processo marcado por perseguição política e insegurança trabalhista.
Em entrevista a reportagem, Lucas Orlando da Silva Ferreira, contratado pela Agência Amazonense de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental (Aadesam) e lotado na Sedel, afirmou que os desligamentos estariam ocorrendo por motivações políticas.
“Houve uma demissão em massa devido a conflitos políticos, perseguições políticas e retaliação.”
Segundo Lucas, os trabalhadores foram comunicados sobre o desligamento pela secretaria, mas, ao procurarem a Aadesam, responsável pelos contratos, encontraram outra informação.
“A maioria dessas pessoas está indo até a Aadesam e não está sendo correspondida, porque a secretaria emitiu um comunicado dizendo que estava todo mundo exonerado e a Aadesam disse que não tem ninguém exonerado, que não recebeu solicitação de demissão.”
O ex-colaborador também afirma que parte dos profissionais ainda não recebeu orientações sobre o encerramento dos contratos nem as verbas rescisórias.
“Algumas pessoas que foram mandadas embora ainda não tiveram suas rescisões nem receberam as verbas rescisórias previstas na CLT.”
Lucas sustenta ainda que alguns desligamentos estariam relacionados ao apoio político de servidores ao ex-secretário da pasta, Jorge Oliveira. “Algumas pessoas que ele apoiou estão sendo perseguidas por apoiar a pré-candidatura dele.”
Outra denúncia feita por ele é a de que funcionários estariam sendo impedidos de registrar a frequência. “A Sedel está impedindo alguns funcionários de assinarem seus pontos. Então é bem grave a situação lá dentro.”
Nota pública
Após o desligamento, Lucas publicou uma nota nas redes sociais afirmando que sua saída da Sedel também teria sido marcada por intolerância religiosa.
“O que vivi não foi apenas uma ruptura profissional. Na minha percepção, foi resultado de um ambiente em que divergências políticas e minha identidade religiosa passaram a pesar mais do que meu compromisso.”
Praticante do Candomblé, ele afirma ter sentido que sua fé foi alvo de preconceito durante o período em que atuou na secretaria. “Como praticante do Candomblé e filho de Orixá, senti que minha fé e minhas posições foram tratadas com preconceito e intolerância.”
Segunda denúncia
Esta é a segunda denúncia de demissões em massa envolvendo a gestão do governador Roberto Cidade (União) divulgada pelo Portal RIOS DE NOTÍCIAS nesta semana.

Na última segunda-feira, 6/7, trabalhadores terceirizados da Secretaria de Estado da Assistência Social (SEAS-AM) realizaram um protesto em frente à Aadesam, alegando que cerca de 90 profissionais foram desligados de programas sociais do Estado.
Na ocasião, eles também denunciaram perseguição política, irregularidades no processo de rescisão, como datas retroativas e cobraram explicações do Governo do Amazonas.
Governo é procurado
O Portal RIOS DE NOTÍCIAS solicitou posicionamento da Sedel sobre as denúncias de demissões, suposta perseguição política, impedimento do registro de ponto e as declarações de Lucas sobre intolerância religiosa.
A reportagem também questionou a Aadesam sobre a situação contratual dos trabalhadores citados e se recebeu solicitações formais de desligamento dos profissionais.
Até a publicação desta reportagem, não houve resposta. O espaço permanece aberto para manifestação dos órgãos citados.






