Júlio Gadelha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O cenário político do Amazonas registra uma escalada na tensão entre o ex-governador Wilson Lima (União Brasil) e o senador Omar Aziz (PSD). Nos últimos dias, os dois líderes políticos protagonizaram críticas públicas focadas, principalmente, nos índices de criminalidade e na gestão da saúde pública do estado.
O embate ganhou força após declarações de Wilson Lima, que afirmou que sua gestão reduziu os índices de criminalidade no estado, estabelecendo uma comparação direta com os números do período em que Omar Aziz governou o Amazonas.
Delegacias fecham cedo e respiradores em loja de vinho
O contra-ataque de Omar Aziz ocorreu durante o evento político de lançamento de seu plano de governo, na segunda-feira, dia 6 de julho. O senador rebateu as declarações do ex-governador, contestando os dados e criticando o funcionamento do sistema de segurança pública local.
“As delegacias fecham às 5h da sexta-feira e só abrem na segunda. É lógico que não tem nem onde fazer B.O., então não tem onde computar isso, e mexem nos números”, declarou Aziz.
Além das críticas à segurança, o senador relembrou o episódio da compra de respiradores artificiais em uma loja de vinhos durante a pandemia, caso que gerou processos no Superior Tribunal de Justiça (STJ), onde Wilson é réu. Aziz utilizou o fato para apontar falhas na condução da saúde estadual.
“[O governo] deixou pessoas morrer sem oxigênio, comprou respirador em loja de vinho, fora o caos da saúde hoje”, afirmou o senador.
Reação política e menção à Operação Maus Caminhos
A resposta de Wilson Lima ocorreu durante o evento que lançou a candidatura do governador Roberto Cidade (União Brasil) à reeleição. Lima, que renunciou ao cargo para disputar o Senado, trouxe de volta ao debate a Operação Maus Caminhos, considerada a maior investigação contra a corrupção na saúde pública do Amazonas.
A operação resultou na época na prisão de familiares do senador, incluindo sua esposa e ex-deputada estadual Nejmi Aziz, e três de seus irmãos.
“A Maus Caminhos está adormecida na Justiça, mas ela está muito presente na mente das pessoas”, declarou Wilson Lima.
O ex-governador também direcionou críticas ao programa “Ronda no Bairro”, que foi a principal vitrine da gestão de segurança pública de Omar Aziz, classificando a iniciativa como ineficiente.
“O Ronda no Bairro foi o pior programa de segurança pública da história deste estado, porque foi nesse período que houve a primeira greve da Polícia Militar. O policial que estava na rua era refém”, disparou Lima.
Disputa pelo interior e os rumos do governo do Estado
Com o atual governador Roberto Cidade, lançado oficialmente na disputa pela reeleição, as articulações políticas entram em rota de colisão direta.
Os grupos carregam o desafio de lidar com o desgaste de investigações passadas e índices de rejeição perante o eleitorado. Agora, o foco da disputa se desloca para o interior do estado. Roberto Cidade afirmou que intensificará as conversas com os prefeitos municipais.
A movimentação ocorreu após uma recente reconfiguração partidária que esvaziou o União Brasil, partido do governo, onde boa parte dos 22 prefeitos eleitos pela sigla migrou para o PSD, partido liderado por Omar Aziz.
O avanço das alianças nos municípios do interior e em Manaus deve definir o peso de cada grupo político na busca por uma vaga no segundo turno das eleições estaduais.






