Lauris Rocha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Com a greve geral dos rodoviários prevista para a próxima segunda-feira, 7/7, usuários do transporte coletivo de Manaus afirmam que o sistema já enfrenta uma série de problemas diariamente. Ônibus lotados, longos tempos de espera, veículos sem manutenção adequada e insegurança durante as viagens fazem parte da rotina de quem depende do serviço, principalmente nas zonas Norte e Leste da capital.
A poucos dias da paralisação, passageiros ouvidos pelo Portal RIOS DE NOTÍCIAS afirmam que, embora a greve possa agravar a situação, os transtornos já fazem parte da rotina.
“Os ônibus dos bairros são abandonados”
O pedreiro Deveran Silva critica as condições dos veículos que atendem principalmente as áreas mais afastadas da cidade.
“O que precisa melhorar são os ônibus dos bairros porque não têm ar-condicionado, os vidros são todos soltos. Não tem condições. Não criticando os empresários, porque eu sei que tudo é difícil, mas é difícil também para o pai de família. Nós, como passageiros, pagamos nossos direitos e tributos. As empresas também precisam oferecer ônibus melhores.”

Segundo ele, existe uma diferença na qualidade da frota entre regiões centrais e bairros periféricos.
“No Centro e para os bairros onde tem condomínios os ônibus são melhores, mas para os bairros de classe baixa é difícil você pegar um ônibus com ar, com as janelas travadas. O governo devia fazer um investimento melhor, porque além da gente vir colado um no outro, está faltando manutenção“, diz.
Espera, lotação e insegurança
Morador do Jorge Teixeira, na zona Leste, o garçom Marcos Lima afirma que o maior problema é o tempo perdido no deslocamento.
“No sistema coletivo de Manaus é o tempo de espera, o tempo de locomoção de uma plataforma para outra e também a segurança pública. Por isso muitas vezes o meio mais seguro é por aplicativo, que vai mais rápido e mais seguro de chegar ao destino”, pontua.

Já a doméstica Rosana Lima, moradora da zona Norte, relata que a superlotação e as constantes falhas mecânicas prejudicam quem depende dos ônibus para trabalhar.
“Eles são muito lotados. No horário que eu vou, principalmente, às vezes a pessoa pega umas coisas que a gente nem percebe. É um calor nos ônibus e alguns quebrados. Às vezes, no meio do caminho, um ônibus quebra e aí chegamos atrasados no trabalho.”

Greve marcada para segunda-feira
Diante desse cenário, a categoria dos rodoviários aprovou, em assembleia realizada na quarta-feira, 1º de julho, a deflagração de uma greve geral a partir da próxima segunda-feira, 7.
Segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários e Urbanos de Manaus e Amazonas (STTRM), Givancir Oliveira, a decisão foi tomada após meses de atrasos salariais e outras reivindicações trabalhistas.
“A categoria deu carta branca para o sindicato fazer uma greve de 100%. Mas, respeitando a Justiça do Trabalho e a população, ela poderá ser de 50%. Porque a categoria vive um caos. Nunca recebemos nossos pagamentos em dia. As empresas culpam o Estado, o Estado culpa a Prefeitura e quem sofre somos nós.”
Ele afirma que uma decisão judicial sobre o processo envolvendo o pagamento dos trabalhadores poderia evitar a paralisação.
“Bastava a Justiça decidir esse processo, garantindo o pagamento dos trabalhadores em dia, que não ia ter greve.”

Além dos atrasos salariais, Givancir cita denúncias de assédio moral, demissões por justa causa e problemas relacionados ao pagamento de gratificações.
“Tem assédio moral, acesso à justa causa, gratificações que são em cartões e que não têm validade para o trabalhador. A categoria quer receber essas gratificações em dinheiro. Tudo isso vem revoltando a categoria.”
Passageiros apoiam reivindicações
Mesmo reconhecendo que uma paralisação pode dificultar ainda mais o deslocamento, os passageiros entrevistados afirmam compreender a mobilização da categoria.
“Eu concordo com a greve, porque todo mundo trabalha. Eles têm que lutar pelos direitos deles, assim como a gente luta pelos nossos”, afirmou Rosana.

Para Deveran Silva, muitos usuários evitam reclamar por receio. “A maioria da população tem medo de reclamar. Hoje é perigoso fazer uma denúncia ou uma reclamação porque pode ser repreendido”, comenta.
Marcos Lima também considera legítima a reivindicação dos trabalhadores. “Eu concordo exigir os seus direitos corretamente, porque as empresas têm que repassar os salários. Você tem que correr atrás dos seus direitos”, afirma.
Na avaliação do presidente do sindicato, cabe ao poder público encontrar uma solução para o impasse.

“A população sempre está certa. Cabe aos vereadores, deputados, governador e prefeito resolver esse problema. Eu represento os trabalhadores, mas a população tem o direito de cobrar porque é ela que paga”, declara.
Posicionamento
O Portal RIOS DE NOTÍCIAS solicitou posicionamento ao Governo do Amazonas, à Prefeitura de Manaus, ao Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU) e ao Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram) sobre as reivindicações apresentadas pelos rodoviários e as reclamações dos usuários. Até a publicação desta matéria, não houve retorno. O espaço permanece aberto para manifestações.






