Elen Viana – Rios de Notícias
PARINTINS (AM) – O Boi Caprichoso é o grande campeão do 59º Festival Folclórico de Parintins. Defendendo o tema “Brinquedo que Canta o seu Chão”, o Touro Negro emocionou os torcedores e conquistou o 27º título da agremiação. A apuração foi realizada na tarde desta segunda-feira, 29/6, no Bumbódromo, em Parintins.
Com apresentações marcadas por histórias, ancestralidade e valorização do povo parintinense e amazônida, o boi reforçou a identidade da região Norte e a manifestação cultural como símbolo de pertencimento e resistência.
Na soma das notas, apesar do empate técnico na primeira noite, o Caprichoso obteve 1.259 pontos, contra 1.258,3 do Garantido, uma diferença de sete décimos. Com apresentações marcadas por histórias, ancestralidade e valorização do povo parintinense e amazônida, o boi reforçou a identidade da região Norte e a manifestação cultural como símbolo de pertencimento e resistência.
Resultado das notas:
- Primeira noite
- Caprichoso: 419,6 pontos
- Garantido: 419,6 pontos
- Segunda noite
- Caprichoso: 419,7 pontos
- Garantido: 419,3 pontos
- Terceira noite
- Caprichoso: 419,7 pontos
- Garantido: 419,4 pontos
A edição deste ano do festival aconteceu entre os dias 26, 27 e 28 de junho. Durante as três noites, Caprichoso e Garantido disputaram ponto a ponto com apresentações que misturaram música, dança, lendas amazônicas, alegorias e elementos das culturas indígena e afro-brasileira.
A apuração foi realizada no período da tarde devido ao jogo do Brasil contra o Japão pela Copa do Mundo.
O boi preto e azul, que nos últimos anos vinha de uma sequência de vitórias, com os títulos de 2022, 2023 e 2024, voltou a erguer o troféu neste ano. Após receber a taça de campeão, os torcedores azulados saíram em carreata pelas ruas de Parintins até o Curral Zeca Xibelão, reduto da Nação Azulada. A festa da vitória deve contar com a apresentação dos itens oficiais do boi e seguir pela noite.
Primeira noite
Abrindo a primeira noite do Festival de Parintins, com o subtema “O Brinquedo do Povo Canta: Parintins – O Chão de Origem”, o espetáculo começou com a Figura Típica Regional “O Brincador de Boi-Bumbá de Parintins”. A alegoria homenageou homens e mulheres que mantêm viva a tradição do boi nos bairros da ilha e representa a memória construída ao longo de gerações.
Na sequência, o boi azul apresentou a Lenda Amazônica “Cobra Grande – A Deusa da Encantaria”. Inspirada em um dos mitos mais conhecidos da Amazônia, a alegoria mostrou a serpente encantada como guardiã das águas e dos mistérios da floresta.
Entre os momentos mais aguardados esteve o Ritual de Iniciação Wat-Amã, inspirado no Ritual da Tucandeira, tradição do povo Sateré-Mawé. A apresentação retratou o rito de passagem dos jovens para a vida adulta, destacando valores como coragem, resistência, disciplina e pertencimento coletivo.
Segunda noite
Abrindo também a segunda noite, com o subtema “O Brinquedo Ancestral Canta: Amazônia – O Chão da Vida”, o bumbá trouxe a alegoria “Curupira – O Guardião da Vida”, de autoria do artista Roberto Reis, que surpreendeu o público pela grandiosidade. O módulo alegórico, que havia sofrido uma queda durante o translado, entrou na arena sem problemas e impressionou pela imponência de seus 37 metros de altura. A obra retrata o Curupira, um dos seres mais emblemáticos do imaginário amazônico.
Com alegoria de Márcio Gonçalves, o bumbá apresentou a Figura Típica Regional “Pescadores e Pescadoras da Amazônia”. Patrick Araujo, levantador de toadas, fez um dueto com Vanessa Alfaia durante a apresentação.
O Caprichoso encerrou o espetáculo com o “Ritual de Transcendência Asurini – Maraká”. A alegoria, assinada pelo artista Kennedy Prata, trouxe um módulo alegórico que flutuou na arena e apresentou o Pajé Erick Beltrão, que representou o xamã responsável por conduzir o rito de passagem.
Terceira noite
Em uma apresentação marcada pela essência do brincar de boi, o subtema foi “O Brinquedo da Resistência Canta: Norte Brasil — Chão de Bravos”, encerrando o tema de 2026.
A Lenda Amazônica foi representada pela alegoria “Nhaçã Hekã — Macacos Comedores de Gente”, assinada por Geremias Pantoja. Com 20 metros de altura, a estrutura surpreendeu o público pelos efeitos cênicos e pela grandiosidade, reunindo macacos gigantes, cobras, sapos, seres místicos e o jovem guerreiro Maricá.
Na Figura Típica Regional, o Caprichoso apresentou “As Farinheiras da Amazônia”, criação dos artistas Makoy Cardoso e Nei Meireles. A alegoria homenageou as mulheres que mantêm viva a tradição da produção da farinha de mandioca, um dos principais símbolos da cultura amazônica.
O Ritual Indígena de Iniciação “Xamânica Xikrin M-Bêngôkre Xikrin” teve início com uma alegoria de 23 metros de altura, assinada por Jucelino Ribeiro, composta por grandes aranhas e um gavião-real.
A apoteose do Caprichoso aconteceu ao som das toadas “O Couro Vai Comer” e “Sentimento Caprichoso”, encerrando a apresentação com emoção e celebração do 27º título da história do Touro Negro.






