Júnior Almeida – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O influenciador, geólogo e geógrafo João Victor Santos simulou em um jogo de gerenciamento ferroviário como funcionaria o antigo projeto do monotrilho de Manaus, orçado em R$ 1,4 bilhão e que nunca saiu do papel.
Na simulação, o sistema alcançou uma estimativa de 130 mil passageiros por dia e tempo de viagem de cerca de 23 minutos entre os principais pontos do trajeto.
Utilizando o simulador Nimby Rails, João Victor recriou o projeto planejado em 2014, analisando possíveis impactos na mobilidade urbana, especialmente nas zonas Norte e Leste, regiões de maior demanda por transporte público.
Segundo ele, o sistema poderia reduzir em até uma hora o deslocamento diário de passageiros que atualmente dependem apenas do transporte coletivo convencional.
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Trajeto feito em 23 minutos
Na simulação, a linha começaria no Largo da Matriz, no Centro de Manaus, seguindo pelas avenidas Epaminondas e Constantino Nery. O trajeto passaria por estações como São Jorge, Arena da Amazônia e Santos Dumont, antes de avançar pela avenida Max Teixeira até os bairros da Cidade Nova e Jorge Teixeira, na zona Leste.

Para o geógrafo, o modelo seria ideal para Manaus por utilizar trilhos elevados no canteiro central das avenidas, exigindo menos desapropriações e intervenções urbanas. “As estações seriam intermodais, contando com terminais de ônibus com linhas alimentadoras, além de um BRT atendendo os pontos intermediários entre essas estações“, ressaltou.
Na projeção feita no jogo, o monotrilho alcançou uma demanda média de 130 mil passageiros por dia. O tempo de viagem entre o bairro Jorge Teixeira e o Centro foi estimado em apenas 23 minutos, com intervalos médios de sete minutos entre os trens.
Obra que nunca saiu do papel
O monotrilho de Manaus é um projeto antigo que nunca saiu do papel. A proposta foi apresentada durante o governo de Eduardo Braga como uma das grandes obras de mobilidade previstas para a Copa do Mundo de 2014.
O projeto previa cerca de 20 quilômetros de trilhos elevados ligando o Largo da Matriz ao bairro Jorge Teixeira, passando por nove estações. A expectativa era transportar até 35 mil passageiros por hora em cada sentido, utilizando dez trens com seis vagões cada.
Orçada em aproximadamente R$ 1,4 bilhão, a obra chegou a ter contrato assinado em 2012 entre a Secretaria de Infraestrutura do Amazonas e um consórcio formado pelas empresas CR Almeida, Mendes Júnior, Serveng e pela fabricante malaia Scomi Rail.
No entanto, em 2013, a Justiça Federal do Amazonas suspendeu a licitação após ação movida pelo Ministério Público Federal (MPF), que apontou diversas irregularidades no processo. Desde então, o projeto ficou paralisado e nunca foi retomado.






