Júnior Almeida – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – A morte da juíza Mariana Francisco Ferreira, de 34 anos, na última quarta-feira, 6/5, após complicações em um procedimento de fertilização in vitro, gerou repercussão nacional e uma série de manifestações de repúdio a uma charge publicada pela Folha de S.Paulo dois dias depois, que fazia referência à magistratura em meio ao caso.

Neste sábado, 9, o Ministério Público do Amazonas (MPAM) divulgou nota em que condena a publicação e afirma que o jornal transformou “uma tragédia humana em elemento de deboche”.
A magistrada atuava no Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS) e morreu após complicações decorrentes de um procedimento de coleta de óvulos realizado em São Paulo.
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A charge foi publicada na sexta-feira, 8, e provocou reações de diversas instituições do Judiciário e do Ministério Público em todo o país. A ilustração fazia referência aos chamados “penduricalhos” da magistratura e utilizava uma lápide como elemento central da crítica.
Na nota, o MPAM afirmou que a publicação utilizou “de maneira inadequada e insensível” a morte da juíza como “instrumento de ironia e ataque generalizado”.
“O uso de uma tragédia humana como elemento de deboche ou crítica desumanizada ultrapassa os limites do respeito e da responsabilidade ética”, declarou o órgão.
O Ministério Público do Amazonas também destacou que o episódio reforça “formas de violência simbólica”, especialmente contra mulheres que enfrentam desafios para conciliar carreira e maternidade.
Apesar das críticas, o MPAM ressaltou o respeito à liberdade de imprensa e ao direito à crítica, mas afirmou que essas garantias “não podem ser dissociadas do dever de sensibilidade e respeito à dignidade humana”.

Outras manifestações
O caso também repercutiu em outras instituições. O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ministro Edson Fachin, afirmou que determinadas reações demonstram “inclinação à lógica da desmoralização contínua das instituições judiciais”.
“Cultivar civilidade e empatia em momentos de luto não significa restringir o debate público”, disse Fachin.
A Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul (Ajuris) classificou a charge como “ofensiva e profundamente desumana” e informou que avalia medidas judiciais.
Já o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) e a Associação Catarinense do Ministério Público (ACMP) também divulgaram notas afirmando que a publicação transformou “uma tragédia humana em instrumento de ironia”.
Também se manifestaram a Associação Nacional das Magistradas e dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra) e o Conselho de Presidentes dos Tribunais de Justiça do Brasil (Consepre).






