Júnior Almeida – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Às vésperas de seu lançamento em Parintins, o álbum “Caprichoso: Brinquedo que Canta seu Chão” chega neste sábado, 18/4, trazendo na expectativa dos torcedores, um reencontro com a própria história do boi azul e branco.
Nesse universo das toadas, o Portal RIOS DE NOTÍCIAS conversou, com exclusividade, com os compositores de “Tuxauas: os herdeiros de Xibelão”, nova faixa que resgata o legado de uma das figuras mais emblemáticas da nação caprichosa e integra o projeto de 2026.
E coincidência ou não, a apresentação do novo álbum, ocorre no Curral Zeca Xibelão, espaço que carrega no nome a memória do primeiro tuxaua do Boi Caprichoso, personagem central dessa obra proposta pelos compositores Ralrison Nascimento e Moisés Colares.
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A nova toada mergulha na origem e na liderança que moldaram o Festival de Parintins. “A ideia veio da contrapartida de falar e homenagear uma figura muito importante da história do Boi Caprichoso, que é Zeca Xibelão, o primeiro tuxaua”, explica Ralrison.
Segundo ele, a motivação também surgiu da necessidade de recontar histórias que nem todos conhecem. “Muitos sabem, mas ainda há pessoas que não conhecem quem foi e o que fazia Zeca Xibelão. Então por que não falar um pouco sobre ele?”, completa.

A construção da toada não foi imediata. O processo levou meses de pesquisa, ajustes e amadurecimento. “Creio que uns três meses. Mantemos essa ideia até começarmos a construção da toada para iniciar a produção”, detalha Ralrison.
Moisés Colares explicou que o caminho criativo passou por referências das raízes indígenas. “Vimos muitos vídeos de vários povos originários, suas danças, cantos e crenças. Levamos cerca de três meses e meio para concluir tudo, entre arranjos, gravação e mixagem”.

A proposta, no entanto, não era apenas musical. A intenção é manter viva uma herança cultural. “Mostrar que a nossa história continua viva, e que o legado de Zeca Xibelão é eterno. Ele é a maior referência do item tuxaua no festival”, destaca Moisés.
Tradição e identidade
Na letra, expressões como “chefe que fala, comanda e dispara” e “herdeiros da arte de Xibelão” reforçam o papel do primeiro tuxaua e líder da tribo na composição da cena do festival. Ralrison resume a mensagem como um chamado à responsabilidade coletiva.

“Todos nós, no dia a dia, precisamos ser tuxauas: aconselhar, comandar e manter o equilíbrio dentro da nossa convivência”, diz.
Ralrison Nascimento, compositor
Item 14
A figura do tuxaua, dentro do boi-bumbá, também é de representar os chefes das tribos – líderes que organizam, conduzem e simbolizam a força dos povos originários.

É essa essência indígena que a toada traduz em ritmo e poesia. Na arena, o item 14, precisa conduzir uma indumentária com proporções agigantadas, onde os principais elementos étnicos da aldeia devem estar nele acoplados.
Quem foi Zeca Xibelão?
José Monteiro de Souza, conhecido como Zeca Xibelão, é lembrado até os dias atuais, pela contribuição pioneira à construção da identidade do Caprichoso.

Foi ele quem introduziu, pela primeira vez, a estética indígena no espetáculo – elemento que, apesar de inicialmente enfrentar resistência, hoje é um dos pilares do Festival de Parintins.
O compositor da nova toada, Ralrison Nascimento, revela que a musicalidade da obra foi inspirada no impacto dos pés no chão, típico das danças indígenas.
“É uma batida que te leva a marchar, inspirada na forma como os povos indígenas dançam em suas tribos”, explica.
Já Moisés Colares compartilha um detalhe mais inusitado do processo criativo. “No trecho ‘batendo os pés no chão’, esse som foi feito com a almofada do sofá, quando estávamos criando”, conta.
A produção da nova faixa “Tuxauas: os herdeiros de Xibelão”, reúne nomes como Adriano Aguiar, Neil Armstrong, Valdenor Filho, Bennett Filho, Emerson Trindade e o levantador de toadas Patrick Araújo.






