Elen Viana – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – A Liga Independente das Escolas de Samba do Amazonas (Liesa-AM) denunciou uma série de supostas irregularidades que, segundo a entidade, colocam em risco a realização dos desfiles das escolas de samba do Carnaval de 2026. Entre os problemas apontados estão atrasos, falta de planejamento, imposições administrativas e possível interferência política.
Durante coletiva de imprensa realizada nesta quinta-feira, 18/12, a Liesa-AM afirmou que os principais entraves para o andamento dos trabalhos são o atraso em todas as etapas de organização do Carnaval, a ausência de um cronograma oficial e a não realização da escolha da Corte do Carnaval.
Imposição de regulamento
A entidade também denuncia uma tentativa de imposição de um regulamento elaborado de forma unilateral pela Secretaria de Estado da Cultura e Economia Criativa (SEC), sem diálogo ou construção coletiva com as escolas de samba. Além disso, segundo a Liesa-AM, estaria sendo exigida a assinatura dos presidentes das agremiações para validação do documento.
Para a Liga, a medida representa um ataque à autonomia das escolas e à independência do concurso e do julgamento artístico. A entidade alerta ainda que possíveis interferências políticas na escolha dos jurados podem resultar em avaliações tendenciosas e comprometer a lisura dos desfiles do Carnaval de 2026.
Ainda conforme a Liesa-AM, o acúmulo desses problemas afeta diretamente milhares de trabalhadores envolvidos na cadeia produtiva do Carnaval, prejudica contratos, gera impactos financeiros às comunidades das escolas e ameaça uma das mais importantes manifestações culturais do Amazonas.
Posicionamento
A reportagem procurou a Secretaria de Estado da Cultura e Economia Criativa (SEC) para se manifestar sobre as denúncias. Confira a nota na íntegra:
“Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa informa que, desde setembro de 2025, vem realizando reuniões com os presidentes das oito Escolas de Samba do Grupo Especial de Manaus, com o objetivo de definir a coordenação, a direção, o regulamento e o calendário do Carnaval na Floresta 2026. Apesar das sucessivas tratativas conduzidas pela Secretaria, ainda persistem divergências entre as agremiações quanto a essas definições, que devem ser estabelecidas de forma consensual pelo próprio grupo.
A ausência de deliberação tem inviabilizado o avanço das etapas indispensáveis à organização do evento. Em reunião realizada no dia 25 de novembro, o titular da pasta, Caio André, reiterou a urgência de uma decisão por parte das Escolas de Samba sobre a coordenação, a direção e o regulamento do Carnaval. No entanto, novamente não houve consenso entre as partes, o que impediu o prosseguimento das discussões.
A Secretaria frisa, ainda, que não existe nenhum regulamento elaborado pelo órgão que esteja sendo imposto às agremiações. Contudo, há um regulamento confeccionado em reunião pelas oito Escolas, mas que, na data marcada para a assinatura dos presidentes, somente três compareceram à reunião, reforçando a continuidade das divergências entre as partes.
A Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa reafirma que permanece à disposição para dar continuidade às ações de fomento e à operacionalização do Carnaval 2026, atribuições que competem a esta pasta, assim que as Escolas de Samba do Grupo Especial apresentarem as definições necessárias ao andamento dos trabalhos. Ressalta-se que a atuação da Secretaria é pautada pelo zelo com o erário e com os recursos públicos, sendo inviável o fomento a um evento cujas diretrizes ainda não estejam formalmente definidas.”
Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa






