MANAUS (AM) – A megaoperação das Polícias Civil e Militar do Rio de Janeiro, realizada nos Complexos do Alemão e da Penha no último dia 28 de outubro, e que resultou em mais de 120 mortes, reacendeu o debate nacional sobre o combate ao crime organizado. Em Manaus, o tema também ganhou destaque diante da crescente preocupação da população com a violência urbana e a segurança pública.
A dona de casa Cláudia França, de 42 anos, moradora do bairro Cidade de Deus, na zona Norte, acompanhou a operação pela televisão e contou que já foi vítima de criminosos na capital amazonense.
“Lá [no Rio] é mais perigoso, mas aqui também é complicado. Já fui assaltada duas vezes dentro do ônibus. Eles entraram, tocaram o terror e ameaçaram bater. Também fui assaltada perto de casa; numa dessas vezes tentei reagir e levei um murro na boca. Em janeiro vou sair de Manaus e me mudar para Curitiba com minhas filhas”, relatou.
Cláudia França – (Foto: Hudson Neris/Rios de Notícias)
A professora Mara Mafra, de 45 anos, moradora do bairro Colônia Santo Antônio, também acumula experiências traumáticas. Segundo ela, já perdeu a conta de quantas vezes foi assaltada, e nesta semana uma amiga próxima sofreu um roubo.
“Ontem mesmo uma amiga foi abordada e teve o celular levado. Ela gritou, e como é idosa e sofre de pressão alta, acabou passando mal e precisou ir para o SPA. A gente tem medo de reagir, porque o bandido estava armado. Nossa vida vale mais do que um telefone, um objeto que conquistamos com trabalho”, desabafou.
Rosângela Cordeiro – (Foto: Hudson Neris/ Rios de Notícias)
A vendedora Rosângela Cordeiro, de 49 anos, moradora da comunidade Vale do Sinai, afirma que a falta de policiamento obriga os moradores a redobrarem os cuidados.
“Hoje em dia precisamos prestar muita atenção por onde andamos. É preciso guardar o celular, não andar com ele exposto, porque é perigoso. Na verdade, qualquer lugar é perigoso. Já passei por uma tentativa de assalto. Antes ainda via policiamento, agora quase não se vê mais. Fui assaltada bem perto de casa, no bairro Cidade Nova, próximo ao shopping”, lembrou.
Moradores pedem mais segurança
Nos bairros de Manaus, o sentimento de insegurança é generalizado, e os moradores pedem mais ações efetivas das autoridades.
“Gostaríamos muito que houvesse mais segurança aqui na Colônia Santo Antônio. Às vezes aparece uma viatura, mas nem sempre. Sabemos que o policial não pode estar aqui o tempo todo, mas gostaríamos que pelo menos houvesse mais rondas. O assalto que comentei aconteceu em plena luz do dia”, reforçou a professora Mara.
Mara Mafra (Foto: Hudson Neris/ Rios de Notícias)
O técnico de manutenção Arisson Negromonte, de 49 anos, morador do bairro Manoa, também lamenta a sensação de abandono das ruas à noite.
“Antigamente, as pessoas ficavam na frente de casa até tarde, conversando, sem se preocupar com assaltos. Hoje isso acabou. À noite é tudo abandonado. São assaltos e mais assaltos. O pessoal chega de moto, e se vê alguém com celular ou algo de valor, leva. Aqui tem muito roubo, inclusive, ontem roubaram na minha banca e eu nem percebi”, disse.
Arisson Negromonte – (Foto: Hudson Neris/ Rios de Notícias)
Para Arisson, o aumento da presença policial nas ruas é essencial para reduzir a criminalidade. “Para melhorar a segurança, é preciso aumentar o número de viaturas. O sistema ‘paredão’ que implantaram ajudou bastante, mas o ideal seria voltar a ter mais policiais circulando, fazendo rondas e fechando o cerco contra esses criminosos”, concluiu.
O Portal Rios de Notícias solicitou uma nota oficial da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) sobre as ações realizadas para conter a violência e reforçar o policiamento nos bairros de Manaus. O espaço segue aberto