Redação Rios
MANAUS (AM) – A Polícia Federal concluiu, nesta quarta-feira, 27/8, o inquérito referente à “Operação Tupinambarana Liberta”. Cinco ex-secretários de estado e policiais militares foram indiciados e deverão responder pelos crimes de organização criminosa, corrupção eleitoral e abolição do Estado Democrático de Direito.
A investigação revelou que um grupo de agentes públicos teria utilizado a estrutura do governo estadual, com apoio de membros da força policial, para beneficiar uma chapa que concorria à Prefeitura de Parintins. As práticas identificadas incluem a compra de votos e ações destinadas a dificultar o livre exercício do direito ao voto.
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O inquérito foi encaminhado ao Ministério Público Eleitoral, que avaliará as provas reunidas e tomará as medidas judiciais cabíveis. Caso os acusados sejam condenados, as penas somadas para os crimes podem chegar a até 20 anos de reclusão, conforme as qualificadoras previstas pela legislação.
A Polícia Federal não informou oficialmente os nomes dos cinco agentes públicos que foram indiciados.
Secretários e policiais envolvidos
Durante o período eleitoral de 2024, secretários e policiais foram flagrados em uma reunião discutindo formas de beneficiar a candidatura de Brenna Dianná (União), que disputava a prefeitura de Parintins contra o atual prefeito Matheus Assayag (PSD).
Entre os agentes públicos envolvidos estão Armando Silva do Valle, ex-diretor-presidente da Cosama, Fabrício Rogério Cyrino Barbosa, então Secretário de Administração, Marcos Apolo, ex-secretário de Cultura, e Flávio Antony, chefe da Casa Civil, que permanece no cargo.
Além dos militares, Tenente-coronel Jackson Ribeiro dos Santos, ex-comandante da Rocam e Capitão Guilherme Navarro Barbosa Martins, da Companhia de Operações Especiais (COE).
Em nota ao riosdenoticias.com.br, o Governo do Amazonas informou que “tem colaborado, desde o início, com as investigações e segue à disposição da Justiça e demais instituições para prestar as informações necessárias a fim de esclarecer todos os fatos”, afirmou o órgão por meio de nota.
Até o momento, nenhum dos ex-secretários ou policiais militares envolvidos no caso se posicionaram.
Detalhes da Operação
A apuração teve início em 16 de setembro de 2024, a partir de uma denúncia apresentada pelo Ministério Público Eleitoral de Parintins. Durante as investigações, surgiram indícios de que líderes comunitários ligados a uma facção criminosa nacional estavam intimidando eleitores e dificultando a circulação de candidatos em áreas da cidade.
Além disso, a investigação apontou para a omissão de agentes públicos, que favoreceram a candidatura alvo do esquema. Também foram encontradas provas de que o grupo monitorava adversários políticos e os deslocamentos das equipes da Polícia Federal, o que indicaria uma tentativa de obstruir o trabalho da corporação.
A Operação Tupinambarana Liberta foi deflagrada no dia 3 de outubro de 2024, com o apoio da Corregedoria da Polícia Militar do Amazonas, que acompanhou a execução das ordens judiciais contra os policiais militares envolvidos.
O nome da operação faz referência à maneira como os moradores locais se referem a Parintins: a “Ilha Tupinambarana, a ilha da magia”. Este nome alude à rica herança indígena da região, tradicionalmente habitada por povos como os Tupinambás. O município é nacionalmente conhecido pelo Festival Folclórico dos Bois Garantido e Caprichoso.
*Com informações da assessoria






