Lauris Rocha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Músicos e contratantes do Amazonas se reúnem nesta sexta-feira, 11/4, para discutir a regulamentação das relações de trabalho no setor artístico. A convenção coletiva será realizada no Palácio Rio Negro, localizado na Avenida Sete de Setembro, no Centro histórico de Manaus, a partir das 13h.
O encontro é promovido pelo Sindicato dos Músicos Profissionais do Estado do Amazonas (Sindmam), entidade que busca fortalecer a luta por dignidade profissional, além de propor políticas públicas que estimulem a formação, circulação, criação e valorização dos trabalhadores da música no estado.
Em entrevista exclusiva ao portal RIOS DE NOTÍCIAS, Everaldo Barbosa, 54 anos, diretor de Relações Institucionais do Sindmam, destacou que a informalidade ainda domina o setor musical amazonense, especialmente em eventos de pequeno e médio porte.
“As relações de trabalho entre músicos e contratantes ainda são marcadas por insegurança jurídica e falta de reconhecimento profissional. Muitos contratantes resistem à formalização, o que prejudica o acesso a direitos básicos e compromete a dignidade no exercício da profissão”, afirmou.
Cultura da informalidade e desvalorização
Segundo Everaldo, um dos principais desafios é romper com a cultura da informalidade e com a invisibilidade que os músicos enfrentam em grandes eventos. Ele também aponta a ausência de artistas e compositores locais nas programações de rádios e meios de comunicação.
“Enfrentamos falta de contratos formais, pagamentos abaixo dos pisos mínimos, descumprimento de horários e até desrespeito no trato pessoal e técnico. Além disso, não há fiscalização eficiente, o que agrava ainda mais a situação”, completou.

Principais reivindicações
Entre as pautas da convenção estão a formalização dos contratos, o cumprimento das regras do couvert artístico, e o respeito a direitos básicos como pagamento justo, segurança nos locais de trabalho e condições técnicas adequadas para as apresentações.
“Também exigimos a participação de músicos locais nos shows de abertura de grandes eventos públicos e privados, inclusive com artistas nacionais e internacionais, além da valorização da produção musical amazonense”, disse o diretor.
Relação com o Ecad
O diretor também criticou a atuação do Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad), responsável por arrecadar e distribuir direitos autorais musicais. Segundo ele, é urgente revisar o modelo de gestão atual, que concentra a administração em associações sediadas no Sudeste do país.
“Os músicos autorais do Amazonas muitas vezes nem conhecem os procedimentos para receber pelo uso de suas obras. Reivindicamos a criação de uma associação da Região Norte que represente de fato os nossos compositores. Também pedimos mais transparência na distribuição dos valores e um canal de diálogo mais eficiente com os artistas da base”, concluiu.






