Caio Silva – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O vereador Rosinaldo Bual (Agir) voltou a ter registros de presença em sessões da Câmara Municipal de Manaus (CMM), mesmo estando afastado do cargo por decisão judicial. Os dados constam em atas oficiais do Legislativo e indicam participações remotas entre os dias 2 e 11 de março.
De acordo com o mapa de frequência das sessões ordinárias, o parlamentar não esteve presencialmente nas reuniões, mas aparece como presente em registros de participação virtual. As atas também apontam ausências em parte dos encontros realizados no período.
Bual é investigado por suspeita de liderar um esquema de “rachadinha” em seu gabinete e responde a acusações de lavagem de dinheiro, associação criminosa e uso de funcionários fantasmas. Ele utiliza tornozeleira eletrônica por determinação judicial, mas segue registrado como presente em sessões recentes, conforme documentos oficiais.
Entenda o caso
O vereador foi preso em outubro de 2025 durante uma operação do Ministério Público do Amazonas (MP-AM), que apura a atuação de uma organização criminosa dentro da Câmara Municipal de Manaus.
Segundo as investigações, o parlamentar é suspeito de envolvimento em crimes como rachadinha, lavagem de dinheiro, concussão e posse ilegal de arma de fogo. Na ação, o MP-AM apreendeu três cofres – um no gabinete do vereador, outro na casa da mãe dele e um terceiro em um sítio de sua propriedade.
De acordo com o Ministério Público, Bual se recusou a fornecer as senhas dos cofres, o que levou à atuação do Corpo de Bombeiros para abertura dos compartimentos. No interior, foram encontrados dois cheques que somam R$ 500 mil, além de dinheiro em espécie.
Mandato e decisão da Câmara
Mesmo após a prisão preventiva, o vereador manteve o mandato e continuou recebendo salário integral. A presidência da CMM adotou inicialmente apenas o afastamento temporário, sem abertura de processo disciplinar.
Em novembro de 2025, um pedido de cassação apresentado pelo vereador Rodrigo Guedes (Republicanos) foi rejeitado por 21 votos a 11, com oito ausências. A maioria dos parlamentares entendeu que a ausência de condenação judicial impediria a perda do mandato.
A decisão gerou reação de entidades como o Comitê Amazonas de Combate à Corrupção (CACC), que protocolou uma Notícia de Fato no Ministério Público apontando possível omissão da presidência da Casa por não levar o pedido de cassação ao plenário, em possível descumprimento do regimento interno.
O que diz a Câmara
Em nota enviada ao Portal RIOS DE NOTÍCIAS, a Câmara Municipal de Manaus informou que o vereador realiza registro de presença de forma virtual.
A Casa Legislativa destacou que, desde o período da pandemia, as sessões podem ocorrer em formato híbrido ou remoto, como forma de garantir a continuidade dos trabalhos parlamentares.
A CMM afirmou ainda que o modelo está em debate no Legislativo Municipal e já foi aprovado em primeira discussão em 2025, seguindo os trâmites regimentais.






