Júnior Almeida – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Depois do resgate da onça-pintada às margens do Rio Negro, outro morador ilustre do Zoológico do Tropical é o jacaré Tchan, antes apelidado de Jayson, um jacaré-açu que sobreviveu às agressões sofridas na orla da Manaus Moderna em 2023.
O zoológico, mantido pela empresária Maria do Carmo Seffair, reitora do Centro Universitário Fametro e idealizadora do projeto de revitalização do Hotel Tropical Amazônia, abriga 225 animais, entre mamíferos, aves e répteis.
O espaço ocupa uma área de aproximadamente 15 mil metros quadrados, totalmente arborizada, e conta com uma equipe técnica formada por biólogos e veterinários.
Entre eles está o biólogo e tenente Nonato Amaral, responsável técnico pelo local, que explicou ao Portal RIOS DE NOTÍCIAS como o jacaré Tchan chegou ao zoológico em 3 de outubro de 2023, após ser brutalmente agredido por pessoas na área do porto da Manaus Moderna.
“Ele chegou muito machucado, debilitado, com uma perfuração na cabeça e um dos olhos perfurado por pauladas. Também perdeu cerca de 50 centímetros de cauda. Passou por uma reabilitação extrema até se recuperar”, relata Amaral.
Nonato Amaral, tenente biólogo


Sem instinto selvagem
Durante o processo de reabilitação, a equipe percebeu que o animal havia perdido completamente o instinto selvagem, o que fez ele permanecer no santuário, que funciona como um centro de reabilitação para animais silvestres.
“O Tchan atendia ao estímulo e hábito de receber alimentos de humanos. Nos testes de reintrodução, não demonstrou medo da presença humana, não conseguia caçar e não reagia a aproximações do lado lesionado. Concluímos que ele não poderia mais voltar à natureza”, explica o biólogo.
Alimentação regrada
Hoje, com cerca de 3,5 metros de comprimento e 150 quilos, o jacaré Tchan vive sob acompanhamento constante do biólogo Amaral. Ele é alimentado a cada 10 dias, com 25 quilos de proteína animal, alternando entre peixes, carne bovina e frango.
Ainda segundo o tenente, o réptil está saudável e já trocou de dentição três vezes desde que foi acolhido, sinal de boa adaptação ao novo ambiente, onde vive há dois anos, como explicou o biólogo e tenente.
Nome guarda homenagem
Ao ser questionado sobre a origem do nome do animal, Nonato Amaral explicou que o jacaré foi batizado por um antigo tratador de silvestres João Oliveira, que trabalhou no zoológico do Tropical por 31 anos.
“Tchan foi batizado por um tratador de silvestres que permaneceu no zoológico por 31 anos. Ao se aposentar, um de seus últimos atos foi receber o jacaré. Dei a ele a honra de escolher o nome, e o senhor João Oliveira batizou o animal de Tchan, em paródia ao jacaré da famosa banda ‘É o Tchan’”, contou Amaral, aos risos.
Nonato Amaral, tenente e biólogo
Além da onça-pintada e do jacaré Tchan, o Zoo Tropical já acolheu araras feridas, preguiças, iguanas e primatas atropelados, muitos dos quais foram tratados e devolvidos ao seu habitat natural e outros permanecem sob os cuidados do Grupo Fametro.






