Gabriela Brasil – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Micaelly Braga, de 30 anos, trabalhadora autônoma, é uma das pessoas atingidas pelo incêndio que destruiu onze casas, nessa sexta-feira, 12/1, ocorrido entre os becos Nonato e Ayrão, no bairro Praça 14 de Janeiro, zona Sul de Manaus.
Ao todo, a Defesa Civil informou que 26 famílias foram impactadas pelo incêndio, que ainda não se sabe a causa. No mesmo dia, no período da tarde, o local foi novamente afligido por uma inundação causada pela forte chuva.
Micaelly relatou o desalento que vivencia após a tragédia. Com a perda de todos os bens, ela agora lida com a incerteza de reconstruir e retomar a vida.
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A casa dela foi a segunda a ser consumida pelas chamas que se alastraram entre as residências da região. Micaelly Braga contou ao portal RIOS DE NOTÍCIAS que não estava na casa quando iniciou o incêndio. Ela estava no local onde trabalha, e soube pela filha, por meio de áudio via WhatsApp, da tragédia. “Foi muito rápido, não dava para pegar nada”, informou.

“Assim que eu soube [do incêndio] eu vim correndo. Estava no trabalho. Meu marido foi me buscar. Cheguei [no local do incêndio] e não tinha mais nada para fazer. Só fiquei olhando atrás da igreja, não podia recuperar nada”, lamentou.
Micaelly contou que o fogo se propagou muito rápido, principalmente, porque a casa era feita de madeira e de um material de plástico altamente inflamável. “Já tinha pegado fogo em tudo, o botijão estourou e piorou mais situação”.
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Além da casa de Micaelly, as chamas atingiram, ainda, a do irmão dela, que morava perto de sua residência.
Segundo a autônoma, os bombeiros demoraram cerca de 1 hora para chegar ao local. “O incêndio iniciou por volta de 13h”, detalhou.

“Os bombeiros demoraram para chegar. Se eles tivessem chegado mais rápido não tinha pegado fogo na casa do meu irmão”, queixou.
O sentimento evidenciado por Micaelly é de tristeza. Ela destacou ter perdido a realização de um sonho: a casa própria. Ela, o marido e os três filhos viviam no local há três anos.

“É muito triste porque foi um sonho que eu tinha realizado de ter minha casa própria. Eu já estava terminando de pagar, porque eu comprei aqui, e do nada evaporou, em questão de minutos, uma coisa que demorou anos para ser construído”, lastimou.
Ainda assim, ela destacou que tem recebido doação de alimentos da igreja, familiares e vizinhos. Também cederam uma quitinete para ela se abrigar. A Secretaria Municipal de Assistência Social e Cidadania (Semasc) também realizou doações de cestas básicas e colchões aos atingidos no incêndio.
Filhos e netos sem casa
O pintor Charles Henrique, de 53 anos, também teve a casa consumida pelo fogo. Ele tinha acabado de chegar à residência, por volta de 13h, quando ouviu um vizinho que gritava, anunciando sobre o incêndio.

“Foi bem rápido. Quando a gente viu já foi pegando fogo na casa dele [do vizinho], da mãe dele aí foi se espalhando”, contou Charles.
Segundo Charles, o fogo se propagou nas onze casas em menos de uma hora, e se alastrou com facilidade em razão do vento. Tanto Charles, quanto os quatro filhos que moram na localidade viram suas casas destruídas pelas chamas. Sem casa, a família agora se abriga na casa da irmã do genro dele, no bairro São Lazaro, mesma zona de Manaus.
“É uma tristeza. A gente perdeu tudo que a gente conquistou. Rapidinho tudo acabou de uma hora pra outra”, disse.
Defesa Civil
Conforme o diretor de operação da Defesa Civil, José Mendes, as equipes estão trabalhado no local do incêndio desde as primeiras horas de hoje. Ao todo, 26 famílias já receberam auxílio da Prefeitura de Manaus. As causas do incêndio devem ser investigadas pela Polícia Civil do Amazonas.
Em nota, o Governo do Amazonas informou que também prestou assistência às famílias atingidas pelo incêndio. A Secretaria de Estado de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania (Sejusc) descata que enviou equipes de assistentes sociais e psicólogos para dar auxílio ao grupo afetado.
As ações foram concentradas em triagens para identificar as necessidades das pessoas atingidas, como emissão de documentos e doações. A estimativa da Sejusc é que cerca de 25 famílias sejam atendidas na ação imediata.
Técnicos das pastas de Direitos Humanos; da Criança e do Adolescente; de Políticas para Mulheres; de Cidadania; dos Direitos da Pessoa Idosa; e da Pessoa com Deficiência acompanham os trabalhos no local para resguardar e auxiliar o público de interesse.






