Redação Rios
RIO – Um em cada cinco brasileiros (22%) afirma já ter recebido oferta para vender o voto em alguma eleição, segundo pesquisa Ipsos-Ipec realizada em parceria com o Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE) e divulgada nesta segunda-feira, 11/5.
O levantamento integra a campanha “Voto não tem preço, tem consequências” e revela que 62% da população não se sente segura para denunciar crimes eleitorais nem sabe como fazê-lo.
A pesquisa aponta que três em cada quatro brasileiros consideram a oferta de dinheiro uma forma de compra de votos. Segundo a socióloga Adelia Franceschini, consultora do estudo, no entanto, essa não é a única estratégia utilizada para influenciar eleitores.
“Há muitas outras formas de compra de voto que não chegam nem a 30%, como oferecer consultas médicas, facilitar o acesso a benefícios sociais, promover churrascos ou festas, entre outras”, explica.
“Temos dois problemas: a compra de votos em si, porque 22% já representa muita gente; e o fato de cerca de 70% da população não reconhecer várias dessas trocas como compra de voto, tratando-as apenas como um ‘favorzinho’”, afirma a socióloga.
O levantamento também mostra que candidatos a cargos municipais lideram as tentativas de coação eleitoral. Vereadores concentram 59% dos relatos de pessoas que dizem ter sido abordadas por candidatos ou cabos eleitorais com esse tipo de proposta. Prefeitos aparecem em seguida, com 43%.
Além disso, mesmo entre os entrevistados que nunca receberam proposta direta para vender o voto, 39% afirmam que a prática ocorre “sempre” onde vivem. A soma dos que dizem que isso acontece “frequentemente” ou “às vezes” chega a 30%.
A região Nordeste registra o maior índice de entrevistados que afirmam já ter recebido propostas para vender o voto: 32%, dez pontos percentuais acima da média nacional e bem superior aos 18% registrados no Sudeste, região mais populosa do país.
“Quanto menor a cidade, maior a compra de votos. Mais pessoas dependem, por exemplo, de empregos nas prefeituras. O dinheiro também tende a ser mais ‘útil’, pois facilita a satisfação de necessidades imediatas. Já nas cidades maiores, as cestas básicas acabam sendo mais ‘práticas’ para os candidatos”, afirma Chico Whitaker, cofundador do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral.
Como denunciar
Um dos objetivos da campanha do MCCE é incentivar denúncias de compra de votos ao Ministério Público e à Justiça Eleitoral. Apesar disso, a pesquisa mostra que 62% dos brasileiros não sabem como denunciar o crime, enquanto 52% afirmam não se sentir seguros para fazer a denúncia.
A compra de votos, classificada pela legislação eleitoral como “captação ilícita de sufrágio”, pode ser denunciada por meio do aplicativo Pardal, da Justiça Eleitoral e do Ministério Público, além de delegacias, promotorias, e-mails e ouvidorias. O crime inclui oferecer dinheiro, benefícios ou qualquer vantagem em troca de votos e pode resultar em pena de até quatro anos de prisão.
A pesquisa foi realizada pelo Ipsos-Ipec entre os dias 4 e 8 de dezembro do ano passado, com 2 mil entrevistas em 131 municípios. O nível de confiança é de 95%, e a margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.
*Com informações da Agência Estado






