Caio Silva – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – A Universidade do Estado do Amazonas (UEA) suspendeu, nesta quinta-feira, 8/10, as aulas e as atividades acadêmicas e administrativas presenciais nas unidades de Manaus devido aos elevados níveis de poluição.
A decisão ocorre semanas após a universidade ser alvo de críticas de estudantes, em setembro, por manter as atividades presenciais durante outro período de intensa fumaça na capital.
De acordo com a instituição, as atividades presenciais foram suspensas nos períodos da manhã, tarde e noite e serão realizadas de forma remota. A universidade informou que a medida busca preservar a saúde e o bem-estar da comunidade acadêmica diante das condições ambientais registradas em Manaus.
Repercussão negativa
A decisão ocorre após acadêmicos da UEA criticarem, nas redes sociais, em setembro, uma fala do reitor André Luiz Nunes Zogahib, depois de a universidade decidir manter as aulas presenciais durante um período de baixa qualidade do ar.
Na ocasião, o reitor afirmou: “São esses pseudo-avaliadores de ciência que me deixam realmente preocupado com o que está acontecendo. Não adianta a gente pregar um discurso de ciência e, na hora que a gente precisar evocar a ciência, a gente tomar uma medida extremamente populista ou fazer politicagem, isso muito me incomoda”.
A declaração gerou repercussão entre estudantes. Um usuário criticou a posição do reitor e afirmou que ela seria incompatível com o papel da universidade na produção científica. “O reitor de uma instituição, que cria cientistas, faz ciência, falar uma atrocidade dessa é de lascar”.
Movimentação de entidades
No dia seguinte à repercussão, estudantes realizaram um ato em frente à reitoria da UEA. Eles cobraram respostas sobre as condições de estudo e trabalho, assistência estudantil e medidas diante da fumaça que atingia Manaus.
Em 23/9, o Sindicato dos Docentes da Universidade do Estado do Amazonas (Sind-UEA) publicou uma nota em apoio às reivindicações dos estudantes por medidas emergenciais diante da qualidade do ar registrada naquele período.
A entidade criticou a gestão da universidade e cobrou que a reitoria avaliasse a suspensão das aulas presenciais, além de priorizar a saúde de estudantes, docentes, técnicos e trabalhadores.
IFAM e UFAM também suspendem atividades
A Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e o Instituto Federal do Amazonas (IFAM) também suspenderam atividades acadêmicas e administrativas presenciais nesta quinta-feira, 8/10, devido ao agravamento da qualidade do ar em Manaus.
Na UFAM, as atividades acadêmicas e administrativas serão realizadas de forma remota nas unidades instaladas na capital.
No IFAM Campus Manaus Centro, a suspensão das atividades presenciais vale para o turno da manhã. As aulas e atividades dos períodos da tarde e da noite estão mantidas, mas a situação segue sendo monitorada pela direção.
Já no IFAM Campus Manaus Zona Leste, todas as atividades acadêmicas e administrativas desta quinta-feira foram transferidas para o formato não presencial.
Qualidade do ar
A suspensão ocorre após Manaus amanhecer sob uma das piores condições de qualidade do ar registradas neste ano. Desde a noite de quarta-feira, 7/10, a fumaça atingiu diferentes áreas da capital, provocando forte cheiro de queimado e deixando o céu esbranquiçado em vários pontos.
O monitoramento do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (SELVA), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), identificou concentração de até 490,1 microgramas de partículas finas PM2,5 por metro cúbico durante a madrugada.
O índice é 71% superior ao pior resultado registrado anteriormente em 2026 e levou a qualidade do ar à classificação “péssima”.






