Gabriela Brasil – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Os trabalhadores da enfermagem vão paralisar a partir desta quarta-feira, 28/6, cerca de 70% das atividades, em Manaus. Eles se juntam à greve nacional da categoria que reivindica o pagamento imediato do novo piso salarial.
Entre os objetivos da greve, os profissionais pressionam o Supremo Tribunal Federal (STF) pela deliberação do Piso Salarial de Enfermagem. Após a aprovação da Lei 14.434/2022 que estabelece o novo piso pelo Congresso Nacional, a Corte bloqueou os pagamentos.
Ao portal RIOS DE NOTÍCIAS, uma enfermeira que pediu para não ser identificada, afirmou que as unidades hospitalares da capital amazonense funcionarão em regime parcial, com 30% de atendimento ao público.
Já na quinta-feira, 29, os trabalhadores se reunirão na Praça da Polícia, Centro, zona Sul de Manaus. “Vamos parar em cada uma de suas unidades. Então, em todos os hospitais, uma turma vai parar por duas horas na frente das unidades, e alguns vão ficar o dia todo, principalmente quem está de folga”, afirmou.
A enfermeira também destacou que apenas serviços essenciais continuarão sendo ofertados, como as UTIs, centros cirúrgicos e emergência. “Não vamos deixar 100% [das atividades paralisadas]. Não podemos, até porque fizemos um juramento. Então, quando há paralisação, precisamos de pelo menos 30% do hospital funcionando. Mesmo com todo mundo trabalhando já é defasado, imagina só 30%, mas vamos precisar fazer isso”, disse.
STF
Com o voto da ministra Rosa Weber, realizado na terça-feira, 27, pelo pagamento integral da lei da Lei 14.434/2022, o placar de votos se encontra empatado. Anteriormente, o ministro Edson Fachin também votou pelo pagamento imediato do novo piso.
Já o relator Luís Roberto Barroso e o ministro Gilmar Mendes votaram pela aplicação da lei a partir de alguns princípios. Os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli votaram pela tese que defende a regionalização do piso. Outros quatro ministros ainda vão votar.
Carta da Enfermagem
A Enfermagem Brasileira lançou uma nota sobre a greve marcada para esta quinta-feira. No comunicado, a categoria expõe a situação de desgaste enfrentada diariamente pelos trabalhadores, com horas exaustivas de trabalho e a baixa remuneração. Também criticam a atuação do Supremo Tribunal Federal frente às demandas dos enfermeiros.
Coren-AM
Em nota divulgada à imprensa, o Conselho Regional de Enfermagem do Amazonas (Coren-AM) explicou as razões para não aderir à greve dos trabalhadores. Conforme o conselho, responsável pela fiscalização e regulamentação do exercício do profissional da enfermagem, a participação de conselhos profissionais em greves e paralisações é proibida.
O Coren-AM também destacou que estará em Brasília para reforçar as mobilizações e sensibilizar os ministros do STF que ainda não votaram sobre o piso.
“Junto a outras entidades representativas de âmbito nacional, todo o sistema Cofen e os Conselhos Regionais, estarão dialogando com os Ministros para que todas as ações movidas pela enfermagem no país tenham um efeito positivo e garantam o cumprimento da lei 14.434 em sua integralidade, conforme sancionado em 2022, e de forma justa, garantam a verdadeira valorização dos profissionais de enfermagem do Amazonas e do Brasil”, disse.






