Lauris Rocha – Rios de Notícias
PARINTINS (AM) – Em uma extensa coletiva de imprensa realizada em Parintins, a 368 quilômetros de Manaus, o presidente do Boi Caprichoso, Rossy Amoedo, fez duras críticas ao processo de avaliação do 58º Festival Folclórico deste ano. Ele defende a anulação do resultado e a criação de um novo modelo de julgamento.
“Quero fazer um apelo a todos os órgãos judiciários que possam olhar para isso com atenção, para que se faça justiça. Tem que zerar esse festival e começar outro, com um novo formato de julgamento. Esse formato atual não tem mais condições. O resultado foi maculado, então zera. Ano que vem, vai tudo para o embate de novo, mas com outro formato”, afirmou Amoedo.
Rossy acusou diretamente os jurados Hylnara Anny Vidal e Marcos Moura de cometerem falhas graves na avaliação das apresentações do Caprichoso, o que, segundo ele, teria levado ambos a apagarem suas redes sociais após a repercussão.
“A Hylnara e o Marcos Moura apagaram tudo das redes sociais. Ninguém sabe mais nada sobre eles, porque fizeram algo muito errado. Quem não comete erro, não se esconde — justifica. E as justificativas apresentadas parecem feitas como se só houvesse um boi na arena. Foi uma ação kamikaze, programada para acabar com o Caprichoso, mesmo tendo sido o maior espetáculo dos últimos dez anos”, criticou.
Comparações e questionamentos sobre as notas
Rossy também apontou incoerência nas notas dos jurados em diferentes itens, especialmente nos levantadores de toada. “O Patrick recebeu 9,8, enquanto o David Assayag tirou 10, mesmo esquecendo letra, falhando na voz e com dois levantadores cantando ao mesmo tempo na arena”, comparou.
O presidente reforçou que o festival vai muito além da disputa: movimenta a economia, gera empregos e mobiliza emocionalmente toda a cidade. Ele afirmou que o Caprichoso reconhece seus erros, mas que a desproporção nas notas foi inaceitável.
“Tentamos defender o festival, mas não tivemos voz. Criaram uma cortina de fumaça em torno do bloco C, quando, na verdade, o julgamento ali foi até equilibrado. O Caprichoso teve falhas, sim, mas a diferença de pontuação em um bloco onde somos mais fortes foi absurda”, declarou.
Dossiê entregue ao prefeito Mateus Assayag
Rossy Amoedo também relatou ter enviado um dossiê ao prefeito de Parintins, Mateus Assayag, na quinta-feira, 26/6, dia da Festa dos Visitantes, alertando sobre o comportamento esperado de uma jurada específica. Segundo ele, o Caprichoso não teve acesso direto à comissão julgadora, por isso recorreu ao chefe do Executivo municipal.
O dirigente afirmou ainda que houve reuniões entre membros da comissão e representantes do boi contrário, supostamente com a presença do prefeito, mas sem confirmação oficial. Após esses encontros, teriam ocorrido mudanças na presidência da comissão, sem que o Caprichoso fosse formalmente comunicado.
“Em uma reunião, após toda essa confusão, fiz duas perguntas ao prefeito: houve vazamento dos nomes sorteados? Ele desviou a resposta. Perguntei novamente e ele apenas pediu calma, dizendo que tudo estava sendo resolvido da melhor forma. E nós confiamos”, relatou.
Segundo Amoedo, as notas atribuídas por uma das juradas confirmam o que havia sido antecipado no dossiê entregue.






