Caio Silva – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O profissional de saúde Adriel Martins das Neves, apontado como responsável por uma agressão no Serviço de Pronto Atendimento (SPA) da Alvorada, na zona Centro-Oeste de Manaus, foi expulso do curso de Medicina em 2021 pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA). O episódio ocorreu no último sábado, 27/12.
De acordo com a Portaria nº 304/2021 da UEA, o então estudante foi excluído do curso em julho de 2021, após a conclusão de uma sindicância administrativa que apontou a prática de falta disciplinar considerada grave. Com isso, ele não concluiu a graduação em Medicina e não possui diploma para o exercício da atividade médica.

Em nota enviada ao Portal RIOS DE NOTÍCIAS, a Universidade do Estado do Amazonas informou não manter qualquer vínculo com Adriel Martins das Neves e confirmou que ele foi desligado do curso de Medicina após a comprovação de infração disciplinar, conforme o regulamento interno da instituição.
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Denúncias
Denúncias e relatos divulgados no perfil do vereador Capitão Carpê (PL) apontam que Adriel teria continuado a atuar de forma irregular em unidades de saúde, realizando atendimentos em diferentes locais.



Em uma das denúncias, uma paciente afirmou ter sido atendida por ele no SPA da zona Sul para a retirada de pontos pós-cirúrgicos. Segundo o relato, o atendimento teria sido feito de forma ríspida. “Disse que, se eu gritasse de novo, ele ia me cassetar”, relatou.
Outro denunciante, que afirma ter estagiado com Adriel, informou que ele também atuaria no SPA Danilo Corrêa, localizado no bairro Cidade Nova, na zona Norte de Manaus, onde realizaria procedimentos como sutura e drenagem. “Ele também é irônico com os profissionais. Estagiei lá e, no dia, estive auxiliando com ele na sala”, disse.
Uma terceira pessoa, que preferiu não se identificar e também afirma ter convivido com ele durante estágio, relatou dificuldades no relacionamento profissional. “Eu era aluna de Enfermagem e ele destratou nossa turma, chamando-nos de burras. Ele é acostumado a fazer isso”, afirmou.
Descaso
O caso ganhou repercussão após a cabeleireira Rosicleide Rodrigues relatar que cobrou atendimento para a mãe, de 65 anos, que apresentava sinais de piora clínica após dar entrada no SPA da Alvorada com pressão arterial elevada, no sábado, 27.
Segundo Rosicleide, mesmo após a paciente ter sido classificada como caso de emergência durante a triagem, ela passou a apresentar tremores e palidez.
A filha informou que buscou ajuda no consultório do médico plantonista, mas teria sido recebida com descaso. Diante da situação, ela gravou um vídeo com o celular e, posteriormente, no corredor da unidade, um auxiliar de cirurgião teria reagido de forma violenta.
Posição da Secretaria de Estado de Saúde
A secretaria relata que diante do ocorrido, notificou a empresa Instituto de Cirurgia do Estado do Amazonas (Icea), que presta serviço no SPA Alvorada, solicitando o afastamento do médico plantonista
O órgão esclarece que existem fluxos que normatizam a atividade acadêmica e de residentes nos hospitais do Sistema Unico de Saúde (SUS), uma vez que esses são campo de prática para formação profissional.
Uma das medidas que devem ser adotadas é o maior rigor juntos às universidades que possuem termo para estágio e no controle de acesso e permanência de profisssionais e estagiários nas unidades, além da aplicação de multa junto as empresas médicas por descumprimento ao que é estabelecido em contrato com a secretária.
A secretaria repudia qualquer ato de violência e afirma que não compactua com condutas que violem princípios do respeito, ética profissional e da dignidade humana.
Sem resposta
O Portal RIOS DE NOTÍCIAS entrou em contato com o Conselho Regional de Medicina do Estado do Amazonas (Cremam), mas até o momento não obteve retorno. O espaço segue aberto para manifestações.






