Andreza Maria Cunha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – A aproximação do fim da presidência de David Reis (Avante) já movimenta os bastidores da Câmara Municipal de Manaus (CMM). A eleição da nova Mesa Diretora está prevista para 1º de dezembro, e pelo menos cinco vereadores aparecem nas conversas: Ivo Neto, Gilmar Nascimento, Joelson Silva, Jander Lobato e Mitoso.
David Reis foi eleito deputado estadual e deixará a Câmara em 2027 para assumir uma cadeira na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam). Até lá, continuará exercendo o mandato de vereador e presidindo a Casa.
A sucessão envolve mais do que experiência parlamentar. A capacidade de reunir votos entre os 41 vereadores, a relação com o prefeito Renato Junior (Avante) e a aproximação com o governador eleito Omar Aziz (PSD) devem influenciar a formação da próxima Mesa Diretora.
Nenhum dos nomes confirmou oficialmente uma candidatura. As movimentações ainda acontecem nos bastidores, e a composição pode mudar até o dia da votação.
Avante tenta manter o comando
Gilmar Nascimento e Joelson Silva aparecem como possibilidades dentro do Avante, partido que atualmente controla tanto a Prefeitura de Manaus quanto a presidência da Câmara.
Os dois construíram uma relação de proximidade com a administração municipal desde a gestão de David Almeida. Além do vínculo partidário, Gilmar e Joelson estiveram entre os parlamentares que defenderam a antiga gestão em votações importantes realizadas na CMM.
Gilmar possui a maior experiência parlamentar entre os nomes mencionados. Está no sétimo mandato, já exerceu funções como líder do governo, primeiro vice-presidente e corregedor e atualmente preside a Comissão de Constituição, Justiça e Redação, responsável por analisar a legalidade dos projetos apresentados na Casa.
Entre fevereiro e setembro, Gilmar participou de 78 das 89 sessões ordinárias. Teve 11 ausências, todas abonadas como caso fortuito ou força maior. No mesmo período de 2026, apresentou 16 projetos de lei, segundo levantamento realizado para esta reportagem.
Joelson Silva, por sua vez, compareceu a 82 sessões e registrou sete ausências abonadas. O parlamentar apresentou nove projetos de lei em 2026.
A candidatura de um nome do Avante poderia representar a continuidade do grupo político que já controla a Câmara. A definição, porém, depende da posição do prefeito Renato Junior e da capacidade do partido de manter unida a atual base municipal.
Jander tem o partido, mas carrega histórico com a antiga gestão
Atual primeiro vice-presidente da Câmara, Jander Lobato também aparece no radar. Sua posição na Mesa Diretora e a filiação ao PSD, partido comandado no Amazonas pelo governador eleito Omar Aziz, poderiam colocá-lo como uma opção ligada ao futuro governo estadual.
O vínculo partidário, entretanto, não significa apoio automático de Omar. Jander integrou a base do então prefeito David Almeida e votou ao lado da administração municipal em diferentes embates políticos na Câmara.
Esse histórico de alinhamento com a antiga gestão pode ser considerado nas articulações do novo grupo estadual. Omar ainda não anunciou preferência na disputa da CMM, e não existe confirmação de que Jander seja o nome escolhido pelo PSD ou pelo governador eleito.
Nos números do plenário, Jander teve 80 presenças e nove faltas abonadas nas 89 sessões analisadas. Em produção legislativa, apresentou seis projetos de lei em 2026.
Mitoso aposta na experiência
Mitoso também é citado entre os possíveis concorrentes. Vereador experiente e integrante do MDB, partido aliado de Omar Aziz no cenário estadual, ele pode tentar ocupar espaço em uma eventual composição entre diferentes forças políticas.
O parlamentar, porém, também possui histórico de proximidade com a administração municipal e chegou a ocupar posição de vice-liderança do Executivo na Câmara.
Entre fevereiro e setembro, Mitoso compareceu a 76 sessões e acumulou 13 ausências, todas justificadas como caso fortuito ou força maior. O levantamento identificou 14 projetos de lei apresentados por ele em 2026.
Ivo reúne mais presenças e projetos
Entre os nomes ventilados, Ivo Neto apresenta o melhor desempenho quando o comparativo considera presença e quantidade de projetos de lei.
O vereador participou das 89 sessões realizadas entre fevereiro e setembro, sem registrar nenhuma falta, licença ou justificativa. No mesmo período legislativo, apresentou 85 projetos de lei, ficando muito à frente dos demais nomes incluídos na disputa.
Politicamente, Ivo também tenta ampliar seu espaço. Embora mantenha diálogo com a Prefeitura e seja considerado um parlamentar de perfil moderado, ele não esteve alinhado automaticamente à antiga base de David Almeida em votações importantes.
Ivo foi um dos vereadores que se aproximaram publicamente de Omar Aziz ainda durante a pré-campanha. Em março, participou, no bairro Santa Luzia, do ato de filiação do deputado estadual Rozenha ao PSD, evento que reuniu Omar, Eduardo Braga e outras lideranças.
A relação de Ivo com Rozenha é antiga. O vereador foi chefe de gabinete do então parlamentar municipal entre 2013 e 2016 e permaneceu politicamente próximo do deputado. Durante a campanha de 2026, atuou na Zona Sul em apoio a Omar, Rozenha e outros integrantes do grupo.
Rozenha, reeleito deputado estadual pelo PSD, também aparece entre os nomes cotados para a futura presidência da Aleam. Ainda não existe definição sobre o comando do Legislativo estadual, mas a proximidade de Ivo com um dos principais aliados de Omar amplia seu espaço nas articulações.
Isso não significa que o governador eleito tenha escolhido Ivo para a CMM. Até agora, não houve anúncio público de apoio. A movimentação indica, porém, que o vereador possui canais políticos tanto com o grupo estadual quanto com integrantes da administração municipal.
Outro ponto citado nos bastidores é seu perfil mais moderado. Ivo mantém boa relação com parlamentares de diferentes grupos e possui abertura de diálogo com o prefeito Renato Junior. Em uma eleição interna, na qual são necessários pelo menos 21 votos, a capacidade de conversar com adversários pode ser tão importante quanto o apoio de partidos e governos.
Números contrastam com atual presidente
O desempenho dos possíveis candidatos também pode ser comparado ao do atual presidente.
Entre fevereiro e setembro, David Reis compareceu a 64 das 89 sessões ordinárias. Foram 25 ausências abonadas: 14 classificadas como caso fortuito ou força maior e 11 relacionadas a atestado médico ou falecimento de familiar.
No levantamento da produção legislativa de 2026, David aparece com um projeto de decreto legislativo. O presidente exerce funções administrativas que não se limitam à apresentação de propostas, mas seus números no plenário ficam abaixo dos registrados pelos cinco possíveis sucessores.
Desempenho dos nomes cotados em 2026
| Vereador | Presenças | Faltas abonadas | Propostas apresentadas |
|---|---|---|---|
| Ivo Neto | 89 | 0 | 85 projetos de lei |
| Joelson Silva | 82 | 7 | 9 projetos de lei |
| Jander Lobato | 80 | 9 | 6 projetos de lei |
| Gilmar Nascimento | 78 | 11 | 16 projetos de lei |
| Mitoso | 76 | 13 | 14 projetos de lei |
| David Reis | 64 | 25 | 1 projeto de decreto legislativo |
Se dependesse exclusivamente dos indicadores de frequência e produção legislativa, Ivo Neto seria o nome mais bem posicionado. Foi o único que participou das 89 sessões e também possui a maior quantidade de projetos entre os cinco cotados.
A escolha do presidente da Câmara, entretanto, raramente é definida apenas pelos números. A votação envolve acordos para os demais cargos da Mesa Diretora, compromissos entre bancadas, participação da Prefeitura e influência das forças políticas que assumirão o Governo do Amazonas em 2027.
Gilmar e Joelson possuem a estrutura do Avante e uma relação histórica com a administração municipal. Jander tem a posição de primeiro vice-presidente e a filiação ao partido do governador eleito. Mitoso aposta na experiência e no espaço do MDB. Ivo, por outro lado, reúne presença, produção legislativa, trânsito entre diferentes grupos e proximidade com aliados de Omar Aziz.
Até 1º de dezembro, o desafio de cada possível candidato será transformar essas credenciais em pelo menos 21 votos dentro do plenário.






