Vívian Oliveira – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – A Estação Experimental de Aquicultura, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), marcou um avanço na pesquisa e produção de peixes na Região, com a inauguração de uma estrutura de estufa equipada com o Sistema de Tecnologia de Bioflocos nesta sexta-feira, 22/9. Financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa (Fapeam), tem parceria com a empresa Nova Aqua.
De forma simples, os Bioflocos são partículas que se mantêm suspensas na água ou aderem às paredes dos tanques e viveiros de produção. Neles, organismos se desenvolvem, criando um sistema que permite prolongar a utilização da água na aquicultura, possibilitando uma produção mais eficiente. Em comparação com sistemas tradicionais.
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É visível a diferença na coloração da água, sendo o sistema de Bioflocos de coloração marrom devido à presença de bactérias benéficas. A principal função das bactérias nesse sistema é remover compostos tóxicos, como amônia e nitrito, que podem ser prejudiciais aos peixes e limitar a expansão da produção.
O Sistema de Bioflocos garante a remoção desses compostos, possibilitando um aumento na produtividade da aquicultura. A tecnologia já foi amplamente aplicada na produção de camarões.
A estrutura recém-inaugurada consiste em seis tanques de 10 mil litros cada, com capacidade para um sistema de produção comercial. O Laboratório de Fisiologia Aplicada à Piscicultura (Lafap), responsável pela pesquisa, dedica-se ao estudo de nutrição, sistemas de produção e à preservação de espécies de peixes como matrinxã, tambaqui e pirarucu, além de peixes ornamentais.
“As bactérias presentes no sistema de Bioflocos desempenham um papel fundamental na purificação da água e também servem como fonte de alimento para os peixes. Isso é particularmente relevante para a produção de tambaqui, a principal espécie produzida na região. Essa tecnologia representa uma grande conquista para o setor de aquicultura, possibilitando um aumento na produção de alimentos de forma mais sustentável”, destacou a pesquisadora do INPA em Aquicultura, Elisabeth Gusmão.

Além disso, o Sistema de Bioflocos também tem potencial para a produção de farinha de Bioflocos, um produto que pode ser industrializado. Atualmente, a farinha está sendo produzida a partir de resíduos de açaí, aproveitando um recurso da biodiversidade local que, de outra forma, seria descartado.
A pesquisa em Bioflocos não apenas beneficia os produtores, mas também contribui para o combate à sobrepesca e à extinção de espécies de peixes de água doce na região. Com a produção mais eficiente e sustentável de peixes em sistemas de Bioflocos, a aquicultura pode desempenhar um papel crucial na garantia de alimentos para a população da região.

Uso reduzido de recursos
Fellipy Chaves e Cristiano Mattioli, pós-doutorandos em Aquicultura do INPA, ressaltaram a importância da pesquisa em Bioflocos para a produção de peixes mais saudáveis e para a redução do impacto ambiental. O sistema de Bioflocos permite produzir mais peixes com menos recursos naturais e minimiza a amônia, um composto tóxico para os animais aquáticos.
“A pesquisa que a gente está realizando busca produzir animais mais saudáveis. Buscamos intensificar a produção e minimizar o uso de recursos naturais que estão sendo utilizados no processo produtivo. Além disso, a produção aquícola, como qualquer outra atividade, tem um impacto. E hoje, dentro da atividade, a produção em Bioflocos é a que gera menor impacto ambiental”, explicou Chaves.
“Como pesquisador, eu visualizo o sistema de Bioflocos como um meio de tirar o produtor amazonense do amadorismo. É a melhor palavra. Profissionalizar, tecnificar o pequeno produtor. E daí, levá-lo do pequeno para o médio produtor. E do médio, caso tudo ocorra bem, como em todo sistema produtivo, para grandes sistemas de produção. Então, é implementar e solidificar a tecnologia de produção em grandes quantidades, em grandes adensamentos aqui no Amazonas”, disse Mattioli.
O pós doutorando enfatiza que a pesquisa visa combater a sobrepesca e oferecer uma alternativa viável ao peixe de rio, desmistificando a ideia de que o peixe produzido é menos saboroso.
“A sobrepesca é capturar mais do que se deve. Os peixes não conseguem reproduzir o suficiente para atender a toda a pesca, a toda a captura que ocorre no sistema, na natureza. Então, o sistema produtivo, vem pra tirar, desafogar a pesca no estado, dos peixes de água doce. Vem para ofertar aos mercados e desmistificar que o peixe de rio é mais saboroso que o peixe produzido. Isso aí é um mito que já é provado. Isso depende unicamente e exclusivamente de um bom trabalho. Trabalhando-se bem, produzindo-se bem, o peixe é ainda mais saboroso do que o do rio”, concluiu Mattioli.






