Caio Silva – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Servidores da rede estadual de saúde realizaram, na manhã desta segunda-feira, 17/8, um ato em frente ao Ministério Público do Trabalho (MPT), no bairro Flores, zona Centro-Sul de Manaus, para cobrar esclarecimentos sobre desligamentos na rede estadual de Saúde.
Segundo os trabalhadores, profissionais com anos de atuação na rede estadual estariam sendo retirados das escalas sem justificativas individuais. Os servidores afirmam ainda que parte dos desligamentos ocorreu após a busca por direitos trabalhistas na Justiça.
O Governo do Amazonas e a Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM) foram procurados pelo riosdenoticias.com.br para comentar as denúncias.
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Servidora relata desligamento
Luciana, que trabalha há mais de dez anos na Fundação Hospital Adriano Jorge, afirma que ainda constava na escala de agosto quando recebeu, no dia 12, uma ligação comunicando o desligamento.
Segundo ela, o aviso foi formalizado por meio de documento encaminhado pelo setor de Recursos Humanos da unidade.
“Quando foi no dia 12, recebi uma ligação que eu tinha sido desligada com documento. Me senti muito constrangida. Isso foi a pior decepção da minha vida, de trabalhar e ir atrás dos meus direitos, quando eu fui desligada”, afirmou.
A servidora disse que procurou diferentes órgãos para entender a situação, mas não recebeu uma justificativa oficial para o desligamento.



Contratos antigos
Outra profissional, identificada como Isabel, também relatou ter sido desligada. Segundo ela, a justificativa apresentada aos trabalhadores foi o tempo de contrato.
“O que eles alegaram é que o nosso contrato é bem antigo e eles estão desligando as pessoas que são mais antigas”, afirmou.
A servidora questionou a medida e lembrou da atuação dos profissionais durante a pandemia de Covid-19, quando, segundo ela, as equipes permaneceram na linha de frente do atendimento.
“Quando foi na época da Covid, nós estávamos ali, nós éramos heróis, estávamos ali na linha de frente. Aí, hoje em dia, eles estão fazendo isso com a gente, desligando a gente por esse motivo que eles não sabem explicar”, disse.
Trabalhadores temem sobrecarga
Os servidores também afirmam que os desligamentos podem aumentar a sobrecarga nas unidades de saúde.
Luciana contou que tinha dois contratos e foi desligada de ambos. “A gente não pode ficar todo mundo desempregado, nós precisamos dos nossos empregos”, declarou.
Segundo ela, a saída de profissionais sem reposição pode aumentar a carga de trabalho das equipes que permanecem nas unidades. “A saúde está um caos, porque eles estão demitindo, não podem contratar e os colegas estão ficando sobrecarregados”, relatou.
Advogado denuncia possível retaliação
O advogado Luiz Ossuosky, que acompanha os trabalhadores, afirmou que os desligamentos podem representar perseguição e retaliação contra profissionais que buscaram a Justiça para reivindicar direitos trabalhistas.
“Nós entendemos, assim como todos os trabalhadores, que é uma perseguição, é uma retaliação”, afirmou.

Segundo o advogado, os profissionais reivindicam direitos relacionados ao FGTS e questionam a falta de reajustes salariais. Ele também defendeu a permanência dos trabalhadores nas unidades.
“Porque só com esses profissionais existe essa diferença? Qual é essa diferença para justificar esses três plantões a mais e todos os demais fazem apenas dez plantões? Não existe nenhuma”, questionou.
O advogado também criticou uma possível substituição dos profissionais por empresas terceirizadas.
“Chega de empresas terceirizadas que atrasam o pagamento de salário. Então, nós estamos buscando a permanência desses trabalhadores que são essenciais para a saúde”, disse.
Governo é procurado
O Portal RIOS DE NOTÍCIAS entrou em contato com o Governo do Amazonas e com a Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM) para esclarecer os desligamentos e as denúncias apresentadas pelos trabalhadores. O espaço permanece aberto para manifestação dos órgãos citados.
*Em colaboração com Kataryne Dias e Tunico Santos






