Caio Silva – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – A eleição de 2026 interrompeu uma sequência que vinha se repetindo na política do Amazonas desde 1990. Pela primeira vez, um governador que renunciou ao cargo para disputar uma vaga no Senado não conseguiu se eleger.
Wilson Lima (União) deixou o Governo do Amazonas em abril deste ano para disputar o Senado, mas terminou a eleição em quarto lugar, com 456.854 votos (11,89%). Eduardo Braga (MDB) e Plínio Valério (PSDB) ficaram com as duas vagas em disputa.
Antes de Wilson, Amazonino Mendes, Eduardo Braga e Omar Aziz adotaram estratégia semelhante e conseguiram chegar ao Senado.
Três ex-governadores chegaram ao Senado
A sequência começou em 1990, quando Amazonino Mendes deixou o Governo do Amazonas para disputar o Senado. Ele foi eleito pelo PDC com 338.631 votos (63,36%), segundo o histórico eleitoral do Senado Federal.
Em 2010, Eduardo Braga deixou o governo após dois mandatos para concorrer ao Senado. Ele foi eleito naquele ano com 1.236.970 votos (42,07%) e passou a representar o Amazonas na Casa.
Quatro anos depois, em 2014, foi a vez de Omar Aziz renunciar ao Governo do Amazonas para disputar uma vaga no Senado. Ele venceu a eleição com 933.996 votos (58,51%), contra 549.748 votos de Francisco Praciano (PT).
Os três casos consolidaram, ao longo de mais de duas décadas, um padrão político no estado: governadores que deixavam o cargo no último ano do mandato para buscar uma cadeira no Senado conseguiam se eleger.
Wilson Lima interrompe sequência em 2026
Wilson Lima deixou o governo em abril de 2026, dentro do prazo de desincompatibilização previsto para ocupantes do Executivo que pretendem disputar outro cargo.
Na eleição para o Senado, o Amazonas tinha duas vagas em disputa. Eduardo Braga terminou em primeiro, com 1.240.471 votos (32,29%), seguido por Plínio Valério, com 948.793 (24,70%). Capitão Alberto Neto ficou em terceiro, com 909.155 votos (23,66%), e Wilson Lima terminou em quarto.
Com o resultado, Wilson se tornou o primeiro dos quatro ex-governadores desse recorte, Amazonino, Braga, Omar e ele próprio, a deixar o cargo para disputar o Senado e não conquistar a vaga.
“Agradeço ao povo do Amazonas que me confiou mais de 400 mil votos. Vou sempre estar ao lado de quem mais precisa, trabalhando pelo desenvolvimento do Amazonas, que é a nossa Nação. Muito obrigado!”, declarou o ex-governador nas redes sociais.
Rejeição durante o governo
A saída de Wilson Lima ocorreu em um cenário de avaliação negativa de sua gestão. Pesquisa do Instituto Veritá divulgada em abril apontou 74% de desaprovação ao então governador. O levantamento ouviu 40.500 pessoas nas 27 unidades da Federação entre 13 de março e 4 de abril de 2026.
O governo também foi marcado por investigações relacionadas à compra de respiradores durante a pandemia de Covid-19.
Em setembro de 2021, a Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça recebeu denúncia contra Wilson Lima no processo relacionado à compra de 28 respiradores, tornando-o réu. Segundo o MPF, a aquisição teria causado prejuízo superior a R$ 2 milhões aos cofres públicos. O STJ registrou ainda que uma empresa que atuava no comércio de vinhos participou da negociação dos equipamentos.
A denúncia tratava de supostos crimes como dispensa irregular de licitação, fraude em procedimento licitatório, peculato, liderança de organização criminosa e embaraço às investigações. O recebimento da denúncia, contudo, corresponde à abertura da ação penal e não representa, por si só, condenação.
Em 2025, o STJ também rejeitou outra denúncia contra Wilson Lima, relacionada ao transporte aéreo dos respiradores, por entender que não havia comprovação do dolo necessário para configurar o crime de peculato.






