Júnior Almeida – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Estudantes da rede estadual de ensino começaram a enfrentar dificuldades para chegar às escolas em Manaus após a suspensão de novos créditos do Passe Livre Estudantil.
A medida, anunciada pelo Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram), é atribuída à falta de repasses do Governo do Amazonas. O presidente da entidade, César Tadeu Teixeira, alerta que a situação pode comprometer o funcionamento do transporte coletivo.
Em entrevista ao Portal RIOS DE NOTÍCIAS, o dirigente explicou que os cartões dos estudantes não foram bloqueados, mas estão sem créditos para utilização. Segundo ele, as empresas não conseguem continuar disponibilizando passagens sem receber os valores correspondentes do governo.
“As carteiras dos estudantes não estão bloqueadas, elas não têm créditos, porque para ter créditos elas precisam ser recarregadas”, afirmou.

César Tadeu disse que tentou negociar com o governo estadual, mas não conseguiu retorno dos secretários de Fazenda e Educação. O presidente também mencionou uma dívida anterior, que, segundo ele, ultrapassa R$ 270 milhões e está sendo discutida judicialmente.
“A dívida está demonstrada por documentos e está no processo. Para dizer que não deve, tem que se levar à prova. Olha, não devo por conta disso e disso, paguei assim e assim, aqui está o recibo. A questão é dessa forma que se resolve”, declarou.
O presidente do Sinetram afirmou que a situação pode comprometer o funcionamento do transporte coletivo caso o problema financeiro se agrave. Ele também defendeu que o impasse seja resolvido por meio de negociação, em vez de prolongar a disputa na Justiça.
“Não é o estudante que fica [sem receber], é a população que vai ser prejudicada, porque o sistema pode até vir a entrar em colapso”, alertou.
Estudantes dependem de cartões emprestados
A falta de créditos já afeta a rotina dos estudantes e de seus familiares. Agatha Silva contou ao Portal RIOS DE NOTÍCIAS que mora longe da escola e depende exclusivamente do transporte coletivo para chegar às aulas.
“Para mim vai ficar horrível, porque, querendo ou não, eu dependo muito da carteirinha. Eu moro longe e não tem como ficar indo e voltando. Não tenho outro meio de transporte para ir e voltar, só tinha o ônibus mesmo”, relatou.

A estudante explicou que, em alguns dias, precisa utilizar até três ônibus e passou a depender do cartão da avó para continuar frequentando a escola.
“Eu não tenho carteirinha, aí a vovó emprestou a dela para a gente ficar passando. Minha mãe também está dependendo da carteirinha dela e a gente acabou emprestando também”, contou.
Segundo Agatha, a situação também prejudica os familiares, que precisam utilizar os próprios cartões para se deslocar.
“Ela é idosa e não pode estar passando por isso. Só que a gente pediu ajuda dela, porque ela é a única pessoa que está lá para ajudar nós. Nossos pais trabalham e também precisam da carteirinha deles. Não estão prejudicando só nós, estão prejudicando até nossos pais mesmo”, afirmou.

A estudante Ferliane Arias também relatou que precisará utilizar o cartão da avó, o que acaba limitando a possibilidade de deslocamento da familiar.
“Agora vou ter que usar a carteirinha dela. Quando ela precisar sair, a carteirinha vai estar comigo e ela não vai conseguir sair. Aí fica prejudicando todo mundo”, disse.
Representante de turma, Ferliane demonstrou preocupação com os estudantes que não possuem outras alternativas de transporte.
“Vai ficar muito difícil para todos os alunos, tanto aqueles que não têm meio de transporte, que nem minha amiga. Eu tenho meus pais para poder me levar, mas e o resto do povo que não tem alguém para levar eles para a escola e precisam do ônibus?”, questionou.
Governo contesta cobrança do sindicato
Em manifestação sobre o caso, o Governo do Amazonas afirmou que está em dia com os pagamentos do subsídio do Passe Livre Estudantil referentes a 2026. Segundo o Executivo, o último repasse, referente ao mês de outubro, foi realizado no dia 23.
A gestão afirma que os cálculos apresentados pelo sindicato são incompatíveis com o contrato e cobra relatórios detalhados sobre a utilização das passagens.
Segundo o governo, “o número de viagens realizadas pelos estudantes teria variado entre 4 mil e 24 mil por mês, enquanto a cobrança corresponderia a 130 mil alunos”.
O governador Roberto Cidade declarou que o Estado destinou R$ 27 milhões ao benefício em 2026 e que pretende questionar judicialmente a cobrança referente ao período anterior.






