Júlio Gadelha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Durante manifestação realizada nesta segunda-feira, 30/6, o secretário extraordinário da Prefeitura de Manaus, Sassá da Construção Civil (PT), ameaçou invadir o canteiro de obras do Tropical Hotel, na avenida Coronel Teixeira, zona Oeste da capital.
O empreendimento pertence ao Grupo Fametro, ligado à ex-candidata à vice-prefeita de Manaus e pré-candidata ao Governo do Amazonas, Professora Maria do Carmo (PL), adversária política do prefeito David Almeida (Avante).
A declaração foi feita em cima de um trio elétrico em ato organizado por trabalhadores da construção civil, que estão em greve desde a última sexta-feira, 27/6, por tempo indeterminado.
A mobilização é liderada pelo Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil (Sintracomec-AM), que reivindica reajuste salarial de 12%, cesta básica de R$ 600, plano de saúde, participação nos lucros e novos pisos salariais. O setor patronal, representado pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon-AM), ofereceu 3%, o que foi considerado insuficiente pela categoria.
Em entrevista a um veículo local, Sassá detalhou os motivos da paralisação.
“A gente quer também um aumento salarial justo. Hoje, o servente de pedreiro ganha um salário mínimo. Nunca aconteceu na história do Amazonas. Nós queremos que chegue a R$ 1.800. Nós queremos que o pedreiro chegue a R$ 2.600. Queremos também que o trabalhador que tenha quatro, cinco cursos ganhem mais por conta da qualificação”, reivindicou.
Motivação política
Mesmo diante de dezenas de obras em andamento na capital, o grupo liderado por Sassá escolheu como alvo de protesto justamente o Tropical Hotel — obra vinculada à família de Maria do Carmo, que anunciou pré-candidatura ao Governo do Estado em 2026. O gesto foi interpretado como um ato de motivação política.
Em discurso, o secretário atacou diretamente a Fametro, criticou supostos atrasos em pagamentos e prometeu invadir o empreendimento hoteleiro.
“Se você atrasar a sua faculdade, a Fametro aqui, seu nome vai para o SPC. A senhora (Maria do Carmo) quer falar mal dos políticos? Quer falar da construção civil? Olha aqui a farda rasgada na obra da senhora. E a senhora tem que liberar todo mundo, porque amanhã nós vamos invadir o mundo, o Tropical Hotel”, disse.
Sinduscon critica paralisação
Em nota oficial, o Sindicato da Indústria da Construção Civil do Amazonas (Sinduscon-AM) classificou como “precipitada” a deflagração da greve em meio ao processo de negociação, que já contou com quatro rodadas de diálogo e uma mediação oficial da Superintendência Regional do Trabalho.
“O anúncio de greve pelo Sintracomec, em plena fase de negociação mediada por órgão competente, configura atitude precipitada e desrespeitosa ao processo de diálogo social”, diz o comunicado assinado pelo presidente da entidade, Frank do Carmo Souza.
O Sinduscon recomendou que empresas mantenham as atividades e orientou o registro de qualquer tentativa de coação ou bloqueio nos canteiros. Uma nova rodada de mediação está marcada para o dia 2 de julho.
Resposta do Tropical
Em nota, a direção do Tropical Hotel informou que não há atrasos nos pagamentos, que os canteiros de obra seguem em funcionamento e que, por ser obra privada, o acesso ao local é controlado.






