Caio Silva – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O secretário de Segurança Pública do Amazonas, Anézio Brito de Paiva, classificou como uma “manifestação” o motim registrado na tarde desta terça-feira, 1º/9, no Núcleo Prisional da Polícia Militar, localizado na rodovia BR-174, na zona Rural de Manaus.
Em entrevista à Onda Digital, o secretário afirmou que a situação estava restrita à unidade e que equipes do Batalhão de Choque e negociadores do Batalhão de Operações Especiais (Bope) foram mobilizados para acompanhar a ocorrência.
“É apenas uma questão da manifestação que está acontecendo lá na nossa unidade prisional”, declarou.
Segundo Anézio, cerca de 70 policiais militares estavam custodiados no local. Ele afirmou ainda que as equipes de segurança buscavam identificar as reivindicações apresentadas pelos internos.
“Nós temos cerca de 70 presos militares, nós já estamos lá com o nosso Batalhão de Choque, com os nossos negociadores do Bope e o secretário de Administração Penitenciária, o coronel Paulo César, também já deslocou lá para o local justamente para saber quais são as reivindicações das pessoas que estão lá, dos presos que estão fazendo essa movimentação”, afirmou.
Reivindicações
A declaração do secretário ocorre enquanto relatos encaminhados à Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM) apontam uma série de reclamações apresentadas pelos policiais militares custodiados.
Entre os principais questionamentos está a proximidade com presos comuns, já que o Núcleo Prisional funciona no mesmo complexo penitenciário que abriga detentos do sistema prisional convencional.
Segundo os relatos, os policiais consideram a localização um risco à segurança deles e dos familiares, principalmente durante os dias de visita. Também foram apontadas reclamações sobre as condições de acomodação, alimentação e assistência médica oferecidas na unidade.
Um dos relatos recebidos pela Defensoria envolve um policial militar mais velho que teria caído de um triliche dentro do núcleo. Os custodiados também questionaram a transferência para a unidade sem a participação da DPE-AM, responsável pela assistência jurídica no âmbito da execução penal.
Policiais foram mantidos sob poder dos internos
Durante a ocorrência, quatro policiais militares que trabalhavam na guarda da unidade foram mantidos sob o poder dos internos, segundo informações divulgadas pela Secretaria de Estado de Segurança Pública (SSP-AM) e pela Polícia Militar do Amazonas (PMAM).
A situação foi controlada por volta de 1h30 desta quarta-feira, 2, quando equipes do 1º Batalhão de Choque ingressaram na unidade e restabeleceram a normalidade.
Cerca de 120 policiais de unidades especializadas participaram da operação, incluindo equipes do Bope, Canil, Cavalaria, Grupo Marte, Rocam e 1º Batalhão de Choque. Segundo a SSP-AM e a PMAM, não houve registro de feridos.
Transferência
A transferência dos policiais para o atual Núcleo Prisional ocorreu em 12 de maio, cerca de quatro meses antes do motim.
Eles foram retirados do antigo Núcleo Prisional da PM, localizado na zona Norte de Manaus, após a fuga de 23 detentos, registrada em fevereiro deste ano.
O atual núcleo funciona no antigo prédio da Penitenciária Feminina de Manaus (PFM), ao lado do Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj).
Investigação
Após a ocorrência, a SSP-AM e a PMAM informaram que serão instaurados procedimentos para apurar as circunstâncias do motim e eventuais crimes cometidos pelos policiais custodiados.
As informações deverão ser encaminhadas ao Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM) e à Justiça Militar.
Posicionamento
O Portal RIOS DE NOTÍCIAS entrou em contato com a Secretaria de Segurança Pública (SSP-AM) para questionar a declaração do secretário e obter esclarecimentos sobre as reivindicações apresentadas pelos policiais custodiados.
Até a publicação desta matéria, não houve retorno. O espaço permanece aberto para manifestação.

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