Júnior Almeida – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O Amazonas deve enfrentar novamente uma das secas mais severas, segundo previsão da Defesa Civil do Estado. O órgão também alerta a população sobre as implicações da crise climática e destaca a necessidade de estocar alimentos, água e remédios, principalmente as comunidades ribeirinhas, sendo as mais afetadas.
Mesmo em período de cheia, o nível do Rio Negro, por exemplo, registrou 25,80 metros na terça-feira, 14/5, sendo o menor número registrado nesta mesma data nos últimos cinco anos, o que eleva a preocupação de uma estiagem severa e a importância de medidas preventivas de adaptação.
O secretário da Defesa Civil, coronel Francisco Máximo, em entrevista a uma emissora de televisão, afirmou que os amazonenses que residem em áreas onde o acesso só pode ser feito de barco, devem priorizar os estoques de mantimentos essenciais para que sofram minimamente com os impactos.
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“Você, que decidir permanecer porque vai continuar cuidando da sua propriedade, você deve fazer uma estocagem de água, alimento e medicamentos para enfrentar o período de risco“, ressaltou o coronel.
Com os níveis dos rios drasticamente baixos, o Amazonas enfrenta desafios quanto ao transporte fluvial, pesca, e o abastecimento de água em diversas comunidades ribeirinhas. “Essas famílias, recomendamos que vão para casas de familiares nas sedes de municípios e aquelas que não tiverem condições de ficar na casa de familiares, que procurem o poder público, pois iremos disponibilizar locais para poder recepcionar”, concluiu Francisco Máximo.
Implicações na economia
Para o economista Ailson Rezende, ao Portal RIOS DE NOTÍCIAS, a estiagem severa do ano passado demonstrou que além dos impactos ambientais, a economia do Estado foi afetada de forma desastrosa. “O governo informou que houve uma perda de receita tributária da ordem de R$ 1 bilhão, deixando nítido o impacto da estiagem em todos os segmentos da economia“, frisa.
“Crises hídricas prolongadas podem prejudicar o fornecimento de água tratada, impedir a chegada de navios com produtos para industrialização e consumo, além de afetar as áreas ambiental, social e econômica.”
Ailson Rezende, economista
Segundo Rezende, “Manaus está ilhada“, devido a dificuldade dos produtos chegarem à capital amazonense por via aérea ou pelo meio fluvial, que é predominante na região Norte. “O modal mais barato é o fluvial, com estiagem este meio de transporte fica prejudicado, impedindo a chegada de produtos, elevando o frete e criando uma escassez, que eleva o preço devido a demanda ser maior do que a oferta“, explica.
Na visão do especialista, apenas estocar não resolve o problema e muito menos é a maneira mais viável. “Começar a estocar produtos alimentícios, água potável e outros produtos de consumo é difícil em razão das necessidades de cada família, estilo de vida e padrões de comportamento“, complementa.






