MANAUS (AM) – O Rio Negro continua em ritmo de cheia, registrando um nível de 25,31 metros nesta terça-feira, 18/3, com uma elevação média de seis centímetros por dia, segundo dados do Porto de Manaus.
Em entrevista ao Portal RIOS DE NOTÍCIAS, o gerente de Hidrologia e Gestão Territorial da Superintendência Regional de Manaus, André Santos, destacou que, apesar da seca histórica registrada em 2023, a pior em mais de 120 anos de medições, o rio agora apresenta níveis próximos à média histórica para o período, podendo até superá-la.
“No Rio Negro, já estamos avançando para cotas acima do esperado. Com o acumulado de chuva previsto, que apresenta anomalia positiva e bem marcada, é provável que o rio saia da condição de normalidade e alcance níveis superiores ao esperado, especialmente no Alto Rio Negro, como nos municípios de São Gabriel da Cachoeira e Santa Isabel do Rio Negro”, disse o especialista.
Rio Negro segue enchendo em Manaus (Foto: João Dejacy/Rios de Notícias)
No entanto, em municípios do Médio Rio Negro, como Barcelos, os níveis já estão acima do esperado para a época, atingindo a parte superior da faixa de normalidade.
“Em Barcelos, temos cotas dentro da faixa de normalidade, mas já na parte superior desse intervalo, quase atingindo o limite superior. Somando isso às chuvas acima da média, o Rio Negro pode atingir níveis acima do normal para esta época do ano”, disse ele.
Impacto para os comerciantes
Apesar da elevação do rio, comerciantes e trabalhadores fluviais ainda sentem os impactos da seca extrema do ano passado e aguardam uma subida mais acentuada das águas. Na Marina do Davi, na zona Oeste de Manaus, os barqueiros enfrentam dificuldades e afirmam que os trajetos ainda não estão totalmente normalizados.
“A nossa expectativa é que o rio suba um pouco mais, porque ainda está muito abaixo do que é considerado normal. Até junho, teremos uma noção melhor se a cheia será forte ou não. Por enquanto, nossas principais rotas ainda não estão boas”, afirmou Flávio Gonçalves, representante da Cooperativa dos Profissionais de Transporte Fluvial da Marina do Davi (ACAMDAF).
Durante a seca severa de 2023, muitas embarcações precisaram suspender as atividades, impactando moradores de comunidades ribeirinhas que dependem do transporte fluvial.
“Nós tivemos que parar as lanchas maiores e operar apenas com embarcações pequenas, como as rabetas, pois o nível do rio ficou abaixo de 30 centímetros. Não podemos interromper o serviço, pois há comunidades isoladas que dependem desse transporte”, explicou o representante.