Gabriel Lopes – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar uma tarifa de 50% sobre as exportações brasileiras ao país, a partir de 1º de agosto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ainda na quarta-feira, 9/7, que a resposta virá por meio da Lei de Reciprocidade Econômica.
Trump acusa o Brasil de praticar relação comercial injusta com os EUA. No entanto, juntos, os dois países têm um volume de comércio de cerca de US$ 80 bilhões por ano. Ao considerar a balança comercial (exportações menos importações), os Estados Unidos têm superávit de US$ 200 milhões com o Brasil.
No documento, Trump cita o ex-presidente Jair Bolsonaro, que é réu no Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado, para justificar a medida. O Portal RIOS DE NOTÍCIAS conversou com especialistas sobre quais serão os efeitos do anúncio e quais as possíveis soluções para a questão.
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Para o advogado e analista político Carlos Santiago, a posição do presidente dos Estados Unidos vai contra a ideia do multilateralismo do comércio e a cooperação internacional, o que pode prejudicar não só as economias dos países que são tarifados, mas também a própria economia norte-americana.
“No caso do Brasil, haverá um impacto grande, até porque o país vende, exporta inúmeros produtos, tanto industrial como agrícola para os Estados Unidos. A Zona Franca de Manaus pode sofrer sim, até porque há indústrias como a Moto Honda, que exportam motocicletas e isso pode comprometer investimentos”, destacou o advogado.
Santiago ressalta que tais medidas precisam ser analisadas com cautela pela diplomacia brasileira “em busca de uma solução econômica e política, até porque tudo isso vai causar impactos para os consumidores e para os trabalhadores do Brasil e dos Estados Unidos”, concluiu o analista político.

Retaliação aos BRICS
De acordo com o economista Altamir Cordeiro, mais do que algo decorrente da falta de alinhamento em um viés ideológico, a taxação de 50% a exportação brasileira é uma retaliação a articulação entre os países pertencentes ao BRICS.
“Essa decisão de taxar o Brasil em 50% é fruto desse alinhamento de rejeição às parcerias americanas. Isso vai gerar um impacto muito negativo na economia brasileira, até porque o governo americano é um grande parceiro comercial no Brasil e sempre foi. Eu acho que esse é um problema mais diplomático do que político”, declarou o economista.
Para Cordeiro é necessário dialogar com o governo americano, tendo em vista que esta mesma tática de taxação tem sido usada pelo Estados Unidos contra outros países. “É importante esfriar a cabeça e tomar a decisão de bom senso, levar as mesas de negociações com a diplomacia para que seja feito um acordo”, apontou o especialista.






