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‘Punição premiada’? Aposentadoria compulsória de juízes custa R$ 59 milhões por ano e é barrada no STF

Ao todo, 126 juízes e desembargadores foram punidos com essa medida entre 2006 e 2026

19 de março de 2026
em Cidades
Tempo de leitura: 6 min
aposentadoria-compulsoria

Aposentadoria compulsória muda no Brasil após decisão no STF (Arte: Abraão Torres/Rios de Notícias)

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Júnior Almeida – Rios de Notícias

MANAUS (AM) – A aposentadoria compulsória aplicada a magistrados no Brasil – considerada por anos a punição disciplinar mais grave do Judiciário – resultou em um custo estimado de ao menos R$ 59 milhões por ano aos cofres públicos, segundo levantamento baseado em dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Ao todo, 126 juízes e desembargadores foram punidos com essa medida entre 2006 e 2026.

A prática, no entanto, passou a ser revista após decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), na última segunda-feira, 16/3. Na determinação, o magistrado estabeleceu que a aposentadoria compulsória não pode mais ser utilizada como punição disciplinar.

A medida altera um modelo que, até então, permitia que magistrados punidos fossem afastados do exercício da função, mas continuassem recebendo remuneração proporcional, o que gerava impacto financeiro para os cofres públicos.

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No parecer, Dino argumenta que a medida se tornou incompatível com as mudanças trazidas pela Reforma da Previdência de 2019. “A aposentadoria não se qualifica como sanção disciplinar, pois possui natureza de benefício previdenciário”, destacou o ministro ao fundamentar o entendimento.

Leia também: Dino acaba com a aposentadoria compulsória como punição a juízes

Com isso, a penalidade máxima passa a ser, na prática, a perda definitiva do cargo, o que também implica na exclusão do magistrado dos quadros da Justiça, sem manutenção de remuneração.

A decisão teve origem em um processo envolvendo um juiz do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), punido por irregularidades como liberação de bens sem aval do Ministério Público e condução deliberada de processos para favorecer terceiros. O caso havia sido analisado e confirmado pelo CNJ, mas foi reavaliado no Supremo.

Casos no Amazonas

No Amazonas, ao menos cinco magistrados foram punidos com aposentadoria compulsória ao longo dos últimos anos – decisões que, sob a nova interpretação, poderiam resultar em perda de cargo.

O caso de maior repercussão envolve o desembargador Jovaldo dos Santos Aguiar, ex-corregedor-geral do Tribunal de Justiça do Amazonas. Ele foi aposentado compulsoriamente por decisão unânime do CNJ em 24 de fevereiro de 2010.

Ex-desembargador e corregedor do TJAM – (Foto: Ney Mendes)

Aguiar havia sido afastado do cargo em maio de 2008 e foi investigado por acusações graves, como negociação de sentenças, corrupção, parcialidade em decisões judiciais e negligência no exercício da função.

Além dele, também foram punidos com aposentadoria compulsória:

  • o juiz Celso Gioia
  • o juiz Hugo Levy
  • o juiz Rômulo José Fernandes da Silva
Juiz Celso Gioia – (Foto: Reprodução/Internet)
Juiz Hugo Levy – (Foto: Reprodução/Internet)

Todos alvos de processos administrativos disciplinares no âmbito do CNJ, embora as datas específicas de cada julgamento não tenham sido detalhadas publicamente.

Com a mudança de entendimento no Supremo, todos esses casos poderiam, em tese, ter resultado em sanções mais severas, como a demissão e a perda dos vencimentos.

Nova fase na responsabilização

A decisão de Flávio Dino também determina que o CNJ reavalie situações semelhantes e, quando entender cabível a punição máxima, encaminhe medidas para o desligamento do magistrado, e não apenas sua aposentadoria.

Além disso, o ministro solicitou que o presidente do STF e do CNJ, Edson Fachin, analise a necessidade de revisão do atual modelo disciplinar da magistratura.

Apesar do impacto, a medida ainda não é definitiva. A decisão foi tomada de forma monocrática, ou seja, individual, e poderá ser analisada pelo plenário do Supremo Tribunal Federal ou pela Primeira Turma da Corte, caso haja recurso.

Tags: Aposentadorias compulsóriasMagistradosministro Flávio DinoPuniçãoSupremo Tribunal Federal

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