Gabriel Lopes – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – As recentes críticas do jornalista mineiro Bruno Carazza, do Valor Econômico, à Zona Franca de Manaus (ZFM) geraram forte reação no Amazonas, mobilizando autoridades, economistas e analistas políticos. A polêmica começou após o artigo atribuir impactos ambientais negativos ao modelo econômico amazonense.
Criada em 1967, a ZFM é considerada uma das principais políticas de desenvolvimento regional do país. Além de gerar emprego e renda para milhares de famílias, o modelo é reconhecido internacionalmente por seu papel na preservação da floresta amazônica, funcionando como barreira econômica contra o avanço do desmatamento.
Em entrevista ao Portal RIOS DE NOTÍCIAS, o sociólogo e analista político Luiz Carlos Marques criticou duramente o artigo e defendeu o papel estratégico do Polo Industrial. O especialista ressaltou que a Zona Franca de Manaus vai muito além de um ‘simples’ benefício fiscal, tendo retornos estratégicos.
“Confesso que admirei a ousadia, afinal, é preciso ter uma boa dose de coragem para escrever de um estado que praticamente varreu a Mata Atlântica do mapa. Talvez o nosso amigo não seja capaz de reconhecer o valor de uma árvore, acostumado que está a vê-las apenas em livros de história”, ironizou o sociólogo.
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O analista afirma achar curioso notar que alguns desejam dar um “golpe fatal” no modelo ZFM, que é o responsável por manter em pé boa parte da floresta que ainda existe. Um paradoxo o qual ele considera digno de nota de quem já perdeu quase tudo e agora ensina como deve-se administrar o que o Amazonas ainda possui.
Citando o doutor em Sustentabilidade na Amazônia e ex-superintendente da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), Marcelo Pereira, o sociólogo reforçou que o modelo é mais do que um arranjo fiscal, sendo uma política de Estado, um instrumento de equilíbrio regional e também, de preservação ambiental.
“É graças a ela que o Amazonas mantém sua cobertura vegetal, garante o ciclo das chuvas e sustenta o agronegócio nacional, inclusive, de Minas Gerais que, ironicamente, depende das nuvens que partem daqui. Por aqui, caro jornalista, os indígenas, os caboclos, enfim, toda população, sabem muito bem o que querem”, afirmou Marques.
Segundo o sociólogo, o povo amazônida sabe o que precisa. “Não vamos admitir a destruição do nosso modelo de desenvolvimento. Somos guerreiros, com o sangue de Ajuricaba. O ataque não nos ofende — apenas confirma que estamos no rumo certo”, concluiu.






