Júlio Gadelha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – A dependência externa do Amazonas para o abastecimento de itens básicos da alimentação foi alvo de críticas da pré-candidata ao Governo do Estado, Professora Maria do Carmo (PL). Em conversa nesta quarta-feira, 10/6, no podcast da Federação do Comércio do Estado do Amazonas (Fecomercio), ela revelou que seu plano de governo terá como pilar central o fortalecimento do setor primário.
Para ilustrar o cenário atual de desabastecimento, a pré-candidata utilizou o exemplo da farinha de mandioca, um dos alimentos mais tradicionais da culinária regional, cuja matéria-prima cruza o país para chegar ao prato do amazonense.
“Qual é o alimento do caboclo? A Farinha. A gente importa a fécula de mandioca de Curitiba, Paraná. Ou seja, a gente não consegue produzir nem a farinha que a gente consome”, lamentou Maria do Carmo.
Diminuir a dependência externa
Segundo a Professora Maria do Carmo, o Amazonas importa hoje 80% de tudo o que consome no setor de alimentos, um dado alarmante que envolve a segurança alimentar e o potencial de produção rural.
A pré-candidata pontuou que estabelecer metas realistas para reverter essa balança comercial é o primeiro passo para o desenvolvimento econômico. Segundo ela, se a futura gestão conseguir diminuir esse déficit de abastecimento para 50%, o estado já terá conquistado um progresso gigantesco.
A estratégia defendida envolve uma reformulação administrativa nos órgãos agrícolas do Estado. Ela propõe reestruturar o Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas (Idam) e colocar a Agência de Desenvolvimento Sustentável (ADS) para atuar diretamente na comercialização dos produtos do interior.
O projeto prevê que o governo assuma o papel de comprador dessas centrais de produção espalhadas pelos municípios, garantindo o escoamento e trazendo os alimentos para a capital, uma vez que, segundo ela, “tem espaço para produzir tudo”.
“Banana, a gente pode produzir; farinha, a gente pode produzir; açaí, hortifrúti, todos. O que precisar e o que quiser. Melancia, frutas. A gente tem espaço para isso. Peixe. Então, assim, eu vou investir maciçamente no setor primário, que, aliás, era um projeto lá do início da Zona Franca, que era o terceiro polo, o polo agropecuário, que nunca foi para frente”, relembrou.
Potencial no Sul do Amazonas
Maria do Carmo destacou ainda o potencial reprimido do estado. Ela exemplificou o sucesso da produção de café e da pecuária no sul do Amazonas para comprovar que a terra é fértil e economicamente viável. Para a pré-candidata, o entrave para o crescimento de outras culturas, como a da banana, reside exclusivamente na falta de assistência técnica e no desinteresse governamental.
“A gente tem exemplos fantásticos no sul do Amazonas, produção de café. Agropecuária lá, a pecuária é muito forte. Então, assim, nós temos espaço para isso. O que acontece com a produção de banana e não tem gente para. As pessoas não têm apoio do governo para isso”, declarou Maria do Carmo.
A pré-candidata encerrou criticando o grupo que hoje comanda o Executivo estadual, associando a estagnação do setor primário aos sucessivos recordes de arrecadação financeira que não se converteram em benefícios estruturais para o homem do campo.
“Hoje, estamos está refém de grupos políticos que não estão interessados no desenvolvimento do Estado. Essa é a realidade. Se tivesse, a gente tinha condição, porque nós temos um orçamento. Não foi falta de recurso, nunca. Nesses oito anos, foi um dos maiores de arrecadação, acho que vocês sabem disso, aqui no estado do Amazonas”, concluiu.






