Gabriel Lopes – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), vive um dos momentos mais críticos de sua gestão desde a polêmica viagem de jatinho ao Caribe com empresários, de acordo com análise de especialistas ouvidos pelo Portal RIOS DE NOTÍCIAS.
Cercado por sete investigações criminais do Ministério Público do Amazonas (MPAM), o prefeito tem enfrentado crescente insatisfação popular.
A tensão ganhou novo capítulo no sábado, 22/11, quando uma roda-gigante instalada no Complexo Turístico da Ponta Negra, na zona Oeste, apresentou uma falha elétrica e deixou visitantes presos por mais de uma hora nas cabines. O equipamento pertence a uma empresa privada, mas opera dentro de área administrada pela Prefeitura.
Confronto com moradores
Após o incidente, David Almeida deixou seu apartamento, na avenida Coronel Teixeira, e foi até o local acompanhar a situação. No entanto, sua presença gerou atritos com moradores que o abordaram cobrando soluções para problemas do cotidiano da capital.
Em vídeos divulgados nas redes sociais, um morador rebate a afirmação do prefeito de que estava ali “para defender a população”, dizendo: “Vai tapar buraco, prefeito”, em referência às condições precárias das vias.
Leia mais: Entenda ponto a ponto o que está por trás da crise entre David Almeida e Omar Aziz
Outra moradora o questiona sobre a acusação de sabotagem à roda-gigante, o prefeito havia afirmado que o vereador Amauri Gomes (União Brasil) teria adulterado a instalação elétrica do equipamento.



Em outro registro, um morador cobra melhorias para seu bairro e mostra imagens ao prefeito. David responde: “Eu trabalho, cara. Eu tenho mais o que fazer”. O morador rebate: “E o meu dever como cidadão é lhe cobrar”.
Outro momento que viralizou mostra alguém mencionando o vereador Sargento Salazar (PL): “Olha o Salazar, hein”. O prefeito retruca: “Tu gosta é de maconheiro, né?”
Após sucessivas cobranças, David deixou o local escoltado pela Guarda Civil Municipal.
Perda de controle
O comentarista da Rede Rios, Diogo da Luz, avalia que o episódio expõe novamente a dificuldade de David Almeida em lidar com crises.
Segundo ele, a roda-gigante foi instalada com objetivo político e, diante do problema, a postura adequada seria “corrigir primeiro e responsabilizar depois”.
“O prefeito preferiu discutir com a população e acusar vereadores, que têm papel de fiscalização, não de execução. Cada um no seu quadrado”, afirmou.
Para o comentarista, a postura do prefeito reforça a percepção de desgaste administrativo e aponta “perda de controle” sobre sua própria gestão.


Para o analista político da Rede Rios, Júlio Gadelha, o prefeito não passou no “teste das ruas”, o que demonstra um “desgaste de imagem” de David Almeida.
“As ruas são um teste de popularidade e o prefeito claramente não passou. A quantidade de guardas municipais necessária para proteger David Almeida, somada à reação agressiva da população, mostra que ele enfrenta um dos momentos mais delicados da carreira, algo que só se compara ao desgaste do ‘caso Caribe’ no início do ano”.
Greve dos professores aumenta pressão
A crise se soma à recente greve dos professores municipais, encerrada na sexta-feira, 21, após oito dias. A paralisação ocorreu em protesto contra o PLC nº 8/2025, apelidado de “PL da Morte”, aprovado pela Câmara Municipal e sancionado por David Almeida.
Durante a inauguração da roda-gigante, na quinta, 20, professores protestaram e relataram terem sido alvo de agressões de agentes municipais.
O prefeito cancelou eventos públicos durante o período da greve, evitando contato direto com a categoria, que encerrou a paralisação sem ter sido recebida por ele.
Contas reprovadas e risco de inelegibilidade

O cenário político se agrava com a recomendação da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) da Assembleia Legislativa do Amazonas para a reprovação das contas de 2017, quando David governou o Estado de forma interina. A decisão pode torná-lo inelegível por oito anos, conforme a Lei Complementar nº 64/1990.
O parecer apontou falhas no uso de recursos da educação, publicidade irregular em período eleitoral, descumprimento de decisões do Tribunal de Contas e desapropriações sem justificativa legal. As contas de José Melo e Amazonino Mendes também foram reprovadas.
Novas sete investigações criminais

Outro fator de desgaste é a decisão do Tribunal de Justiça que autorizou o MPAM a abrir sete investigações criminais envolvendo o prefeito, relacionadas a:
- viagem ao Caribe;
- contratos da Prefeitura com familiares do prefeito;
- favorecimento de empresários;
- fraude em licitação;
- peculato;
- uso indevido de recursos públicos;
- possíveis crimes ambientais.
Racha com Omar acende alerta

Em meio ao acirramento das crises, David Almeida declarou que pode retirar o apoio ao senador Omar Aziz (PSD), seu principal aliado, caso suspeite que as investigações contra ele estejam sendo alimentadas por aliados do senador.
“Eu retiro meu apoio se esses candidatos estiverem ligados a alguém que eu vá apoiar ano que vem. Eu não vou ficar sendo vítima de pessoas invisíveis. […] A partir do momento em que eu me sentir ameaçado, posso mudar de rumo e de direção”, afirmou David.
Desde lá, ambos não foram mais vistos juntos e nem compartilharam agendas públicas. Quase uma semana após a fala, Omar Aziz respondeu enfaticamente a declaração de Almeida no dia 19 do mesmo mês, durante entrevista a uma emissora de rádio local, expondo a tensão política entre os dois, até então, aliados.
“Deveria dar o nome de quem é o fogo amigo. Eu não vou vestir essa carapuça, até porque ele, e quem está do lado dele, sabe que nos momentos difíceis eu estive do lado dele. Eu não vou vestir essa carapuça, porque eu sou muito transparente”, declarou Omar Aziz.
Respostas
O Portal RIOS DE NOTÍCIAS solicitou posicionamento oficial da Prefeitura de Manaus sobre os episódios envolvendo o prefeito na Ponta Negra e aguarda retorno. O espaço permanece aberto para manifestações.







