Lauris Rocha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Nas grandes cidades, ir ao cinema é geralmente sinônimo de ir ao shopping, onde estão as grandes salas de exibição de filmes e os preços nem sempre cabem no bolso. Dessa forma, como as pessoas que moram na periferia conseguem ter acesso? Nem todos possuem dinheiro para ir ao shopping e dependendo da cidade, os preços dos ingressos custam em média de R$ 27,96 a R$ 13,98 (meia), sem contar os gastos com os combos de pipocas e refrigerantes.
Para muitos, é quase impossível ter acesso à sétima arte devido aos poucos recursos financeiros, principalmente, para quem vive na favela, onde sobreviver é um ato de coragem. No entanto, no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, o cinema democrático chegou, nesta semana, com a reinauguração do CineCarioca Nova Brasília, o cinema no Complexo do Alemão.
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A festa cinematográfica foi de graça. O filme “Mallandro, o Errado que deu Certo” marcou a pré-estreia. A população que vive na favela ganhou um cinema com novas poltronas, pipoqueira, pintura, televisor e sistema de ar-condicionado.
O ingresso foi a preço popular de R$ 5,00. O CineCaricoca Nova Brasília é o primeiro da rede RioFilme a entregar melhorias e modernização do espaço aos moradores da favela.
A REPORTAGEM conversou sobre o cinema na favela com o manauara Felipe Martins, de 40 anos, que estudou na Escola de Cinema Darcy Ribeiro, no Rio de Janeiro.


“É importante termos cinema em qualquer lugar, principalmente em favelas, pois o cinema liberta e é capaz de transformar o pensamento das pessoas. Produzi meu primeiro documentário em uma favela, na zona Sul aqui do Rio de Janeiro. Havia muitas crianças e adolescentes da favela que nunca tinham ido num cinema. Quando lancei o filme, consegui as exibições no Ponto Cine, que era um cinema próximo a um mini shopping cercado de favelas, no bairro de Guadalupe, zona Norte aqui do Rio.”
Felipe Martins, produtor, diretor e roteirista de cinema.
Felipe Martins lembra que, na época, a gerência do cinema conseguiu fretar um ônibus e levou as crianças da favela, onde ele produziu o documentário, para ver a exibição do longa.


Desta experiência, Felipe contou que passado alguns anos ele encontrou uma das crianças que foi ver o documentário. “Ele já era um pré adolescente trabalhando com audiovisual, isso tudo em 5 anos. O cinema é algo que empolga e mexe com as pessoas, principalmente com as crianças e jovens desses lugares estigmatizados onde muitos não tem perspectiva de um futuro digno.”
“Eu prefiro ver esses jovens se espelhando na arte do que no crime, que já é comum e banal em nossas favelas. A criança que foi ver meu filme no cinema, hoje está com uma câmera na mão e não um fuzil. É esse país que quero! Entende a importância do cinema na favela? O Ponto Cine fechou no início do governo extremista, hoje, com o atual governo, está voltando com ajuda de recursos de Leis de Incentivo”, disse o diretor.
O amazonense, diretor de cinema, também chegou a trabalhar em TV quando vivia em Manaus. Atualmente, ele reside no Rio de Janeiro e desenvolve atividades ligadas à sétima arte.
“É o cinema que mais exibia produções nacionais entre todas as sala do país e o ingresso era super acessível para a comunidade ao redor [governo Lula]” recordou.


Felipe Martins tem projetos de documentários de impacto voltados para o social. Seus novos projetos visam falar mais sobre a Amazónia e produções em favelas. O roteirista está fundando um projeto social direcionado para o cinema e crianças, no Complexo da Maré, bairro localizado na zona Norte da capital fluminense.
“Manaus é minha terra natal, minha família toda mora aí, morei na adolescência no Rio de Janeiro, voltei pra Manaus com 17 anos, ingressei na Fundação Rede Amazônica e aos 24 anos voltei para o Rio de Janeiro onde resido até agora, cresci no centro histórico de Manaus, sou skatista da Praça do Congreso [risos]”, revelou ao Portal RIOS DE NOTÍCIAS.






