Elen Viana – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Os parlamentares Plínio Valério (PSDB-AM), Alberto Neto (PL-AM) e Luiz Lima (PL-RJ) criticaram a compra da maior reserva de estanho do Brasil pela empresa estatal China Nonferrous Trade (CNT), o valor da negociação foi de US$ 340 milhões, cerca de R$ 2 bilhões. A mina do Pitinga está localizada em Presidente Figueiredo, a 125 quilômetros de Manaus.
O senador do Amazonas Plínio Valério, em pronunciamento no plenário do Senado, destacou os bloqueios impostos à exploração de recursos naturais na Amazônia. Ele enfatizou que, enquanto brasileiros enfrentam restrições, empresas chinesas têm liberdade para explorar reservas minerais no país.
“Estamos lá impedidos, com cadeados ambientais que nos escravizam e nos prendem, porque sempre esbarramos nas ONGs, sempre esbarramos na ministra Marina Silva, a serviço das ONGs, e, de repente, os chineses compram a maior mina de urânio do Brasil. Vão beneficiar urânio no Amazonas, perto de Manaus, no município de Presidente Figueiredo, que vive do turismo, que vive das suas 160 e poucas cachoeiras, e ninguém fala nada. Por quê? O que há aí?”, afirmou Plínio.

O senador também criticou a paralisação da exploração de potássio e gás natural no estado, atribuída a decisões do Ministério Público Federal (MPF), que ele afirma serem influenciadas por organizações não governamentais (ONGs). No entanto, o MPF já declarou que há grave risco ambiental na região, destacando que o projeto prevê a abertura de grandes túneis e perfurações no solo sem a realização de estudos completos, o que pode acarretar consequências significativas.
Leia mais: China compra a maior reserva de estanho do mundo, em Presidente Figueiredo (AM)
Plínio Valério defendeu que a exploração do minério em Autazes (AM) poderia reduzir a dependência brasileira de importações de potássio da Ucrânia e do Canadá. Segundo o senador, as restrições atuais prejudicam o desenvolvimento do país e beneficiam interesses estrangeiros.
“Hoje, 63% da população vive abaixo da linha de pobreza, sem R$ 11 por dia para se autossustentar. E nós não podemos explorar nada? Não podemos viver dos bens naturais que Deus nos concedeu? Esses bens são nossos!”, declarou o senador.
O deputado federal Capitão Alberto Neto lembrou ainda que, no governo de Bolsonaro, havia uma ênfase na proteção da soberania nacional e no controle brasileiro sobre as riquezas naturais, inclusive na abordagem em relação aos recursos estratégicos da Amazônia.

“O governo atual tem adotado uma postura mais permissiva, deixando que que empresas estrangeiras assumam o controle de ativos estratégicos sem a devida transparência ou garantias de benefícios concretos para o Brasil. Precisamos revê com urgência a gestão dos recursos estratégicos, pois o Brasil é muito rico e essa riqueza precisa ser usada de forma sustentável em benefício do nosso povo”, apontou Neto.
Soberania Nacional

Já o deputado federal pelo Rio de Janeiro, Luiz Lima, afirmou que a venda da mina vai além de uma transação comercial, representando uma questão de segurança nacional. Ele destacou a importância do urânio (o minério não é comercializado), tanto para a geração de energia nuclear quanto para fins militares.
“A venda desse recurso vital para uma estatal vinculada ao governo da República Popular da China levanta questões críticas sobre o controle e a exploração de reservas estratégicas”, afirmou o parlamentar.
Deputado também chamou atenção para a crescente influência externa em setores sensíveis da economia brasileira, especialmente envolvendo países com interesses geopolíticos relevantes. “Não se trata apenas de comércio. Em tempos de instabilidade global, essa situação pode ser decisiva para a nossa segurança nacional”, concluiu ele.
Venda da reserva
A transação foi anunciada pela mineração Taboca na terça-feira, 26, e divulgada no site da China Nonferrous Trade Co. Ltda (CNT), subsidiária do China Nonferrous Metal Mining Group Co. Antes, a mina era operada por uma empresa peruana.

A venda repercutiu nas bolsas de Pequim (China) e Lima (Peru), colocou a estatal chinesa no controle da maior jazida de urânio do Brasil. A China Nonferrous Trade é reconhecida mundialmente por sua vasta experiência em mineração e metalurgia de minerais especiais, com operações em países da Ásia e da África.
NOTA: a matéria foi publicada, erroneamente, com o título “Políticos criticam venda da maior reserva de urânio do Brasil para estatal chinesa”, após a correção o título mudou para “Políticos criticam venda da maior reserva de estanho do Brasil para estatal chinesa”. Correção feita no dia 2/12.






