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Polilaminina: molécula descoberta no Brasil avança em testes e renova esperança contra a paralisia

A pesquisadora destacou que chegou a utilizar recursos próprios para tentar manter a patente

3 de março de 2026
em Cidades
Tempo de leitura: 5 min
polilaminina-paralisia

A molécula experimental desenvolvida no Brasil tem potencial para regenerar lesões na medula espinhal (Arte: Abraão Torres/Rios de Notícias)

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Caio Silva – Rios de Notícias

MANAUS (AM) – Pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) iniciam a fase 1 de testes clínicos da polilaminina, molécula experimental desenvolvida no Brasil com potencial para regenerar lesões na medula espinhal.

A autorização para o estudo foi concedida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), marcando um passo importante na pesquisa de tratamentos para paralisia.

A polilaminina é uma versão modificada da laminina, proteína natural do corpo humano, especialmente presente na placenta. Em laboratório, cientistas reorganizaram a molécula para reforçar sua atuação no sistema nervoso.

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Leia também: ‘Comigo não tem ré’, diz David Almeida sobre pré-candidatura ao Governo do AM em evento da prefeitura

A laminina atua como um “andaime biológico”, criando uma rede que orienta o crescimento dos axônios – estruturas dos neurônios responsáveis por transmitir impulsos nervosos e que são danificados em lesões medulares.

Em estudos preliminares com oito pacientes, pesquisadores observaram recuperação de movimentos em alguns voluntários. Apesar dos resultados promissores, os dados ainda não passaram por revisão independente de especialistas.

Pesquisa nacional e desafios

A bióloga Tatiana Sampaio, professora associada da UFRJ, liderou o desenvolvimento da polilaminina. Ela destacou que, embora a substância tenha patente no Brasil, a proteção internacional não foi mantida devido a cortes de recursos na universidade entre 2015 e 2016.

“Os recursos da UFRJ foram muito cortados naquela época, e não havia dinheiro para manter a patente internacional. Avaliaram que seria um custo alto que não valeria a pena pagar”, relatou Tatiana ao Estadão.

A pesquisadora chegou a investir recursos próprios para manter a patente, mas não conseguiu evitar a perda da proteção internacional, prejudicando o reconhecimento da ciência brasileira. A concessão da patente no país levou cerca de 18 anos e foi finalizada apenas em 2025, restando dois anos de exclusividade para a cientista no Brasil.

Resultados promissores em pacientes

O potencial da polilaminina ganhou destaque nas redes sociais em janeiro, quando a nutricionista Flávia Bueno, 35, começou a recuperar movimentos após sofrer uma grave lesão na coluna. A lesão atingiu as vértebras C3, C4, C5 e C6, deixando-a sem movimentos nos braços e pernas e sem sensibilidade. Em estado crítico, precisou de respiração mecânica.

O tratamento experimental ocorreu no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, e permitiu que Flávia movimentasse o braço direito pela primeira vez após a lesão, um avanço considerado significativo.

Estudo clínico e critérios

A Anvisa autorizou o início da fase 1 do estudo clínico, que avalia a segurança do uso da polilaminina aplicada diretamente na medula espinhal. Testes preliminares em animais e em um grupo restrito de pacientes indicaram que o medicamento pode restaurar movimentos em alguns casos.

A primeira fase do estudo inclui cinco voluntários, selecionados segundo os seguintes critérios:

  • Idade entre 18 e 72 anos;
  • Lesão medular torácica aguda e completa, entre as vértebras T2 e T10, ocorrida há menos de 72 horas;
  • Indicação cirúrgica para o procedimento.

Apesar dos avanços, a Academia Brasileira de Neurologia reforça cautela: o uso do medicamento ainda não é autorizado fora dos protocolos de pesquisa, e seus efeitos precisam ser confirmados em estudos mais amplos.

Tags: Brasilciênciamoléculaparalisiapoliamininatestes

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