Caio Silva – Rios de Notícias
MANACAPURU (AM) – Três pessoas foram presas na última quarta-feira, 15/4, no município de Manacapuru, a 68 quilômetros de Manaus, suspeitas de envolvimento em crimes sexuais contra crianças e adolescentes.
As ações ocorreram em dois casos distintos, ambos coordenados pela Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca).
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Caso 1: Vítima de ‘casamento infantil’ era explorada por irmã e idoso
No primeiro caso, uma mulher de 21 anos e um homem de 65 anos foram presos por exploração sexual de uma criança de 11 anos.
A vítima já havia sido resgatada em novembro de 2025 de um “casamento infantil” com um homem de 33 anos, que teve a conivência do pai e da mãe. Após ser desacolhida de um abrigo, ela voltou a ser explorada sob a responsabilidade da irmã mais velha.
De acordo com a delegada Joyce Coelho, a mãe da vítima possuía problemas psicológicos e uma medida protetiva que a impedia de se aproximar da criança.
“Essa criança foi acolhida no Saica, lá do município de Manacapuru. E para nossa surpresa, há um mês essa criança foi desacolhida, entregue para essa irmã mais velha de 21 anos”, afirma a delegada.
Neste mês, a irmã levou a menina até um flutuante onde, segundo o depoimento da vítima, ela ia contra a própria vontade e sofria ameaças.
“Esse homem de 65 anos apagava a luz, colocava a criança dentro da rede e a de 17 anos [adolescente que acompanhava] ficava lá de fora. Segundo ela, eram pequenas quantias em dinheiro que eram dadas e, na noite do flagrante, ela ganhou dois litros de açaí e a quantia de 20 reais. Então, isso era uma constante”, destaca Joyce Coelho.
A delegada ressaltou a necessidade de uma solução definitiva para o acolhimento da vítima e informou sobre a perícia nos materiais apreendidos.
“Nós apreendemos o aparelho celular dos envolvidos justamente porque ali pode ter algum gancho para a gente puxar todos os envolvidos e é o maior interesse da Polícia Judiciária é identificar e abrir quantos procedimentos forem necessários para esclarecer os fatos”, contou.
Caso 2: Prisão em flagrante por estupro de vulnerável
No segundo caso, um homem de 25 anos foi preso em flagrante por estupro de vulnerável contra uma adolescente de 12 anos. A investigação começou após a mãe da vítima registrar o desaparecimento da menina.
A polícia recebeu informações de que a adolescente estaria na casa do suspeito, que já havia demonstrado interesse nela.
“A equipe de investigação da DEP imediatamente foi até o endereço e chegou lá. Encontrou essa adolescente com esse rapaz. Foi confirmado que eles passaram a noite juntos ali na casa do rapaz, no bairro da Correnteza”, afirma a delegada.
Pela idade da vítima, o crime foi tipificado como estupro de vulnerável. “No seu interrogatório não quis falar, preferiu ficar em silêncio. Só vai falar em juízo. Então, é mais uma prisão de estupro de vulnerável de uma vítima de 12 anos que ele estava se relacionando com esse homem de 26 anos”, pontua a autoridade policial.
A delegada concluiu informando que a adolescente citou outros abusadores em seu depoimento, o que deve gerar novos desdobramentos na região, inclusive em Caapiranga:
“A gente sabe que uma adolescente ainda não está com o seu emocional formado, ela é vulnerável. Então, ele acabou ali fazendo esse aliciamento, o que a gente chama de aliciamento, que é quando ele convence”.
Próximos Passos
Os detidos foram encaminhados para audiência de custódia e permanecem à disposição da Justiça. A delegada Joyce Coelho reforçou que a criança de 11 anos deve ser encaminhada a um abrigo provisório enquanto uma solução definitiva é buscada para garantir sua segurança emocional e física.






