Caio Silva – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Uma mansão localizada no bairro Ponta Negra, zona Oeste de Manaus, era usada como ponto estratégico para armazenar e preparar drogas destinadas à exportação.
No local, foram encontrados 50 quilos de cocaína, sendo 16 quilos da versão tradicional e 34 quilos da chamada “cocaína negra”, um tipo modificado para dificultar a detecção por cães farejadores e testes químicos.
A apreensão foi resultado de uma operação deflagrada na última sexta-feira, 17/10, após duas semanas de investigação conduzida pelo Departamento de Investigação sobre Narcóticos (Denarc), da Polícia Civil do Amazonas (PC-AM). A suspeita inicial surgiu por meio de uma denúncia anônima informando que o imóvel era usado como depósito e centro de distribuição de entorpecentes.
Leia também: Investigador é afastado após denúncia de abuso sexual contra presos no interior do AM
Durante o cumprimento do mandado de busca e apreensão, um casal — ele de 51 anos, ela de 45 — foi preso em flagrante. Segundo a polícia, os dois eram responsáveis por guardar e embalar a droga que teria como destino a Austrália. O valor estimado da carga ultrapassa os R$ 19 milhões, e os investigados receberiam cerca de R$ 3 milhões como pagamento pela remessa.
Droga escondida em móveis com fundo falso


As drogas estavam escondidas dentro de móveis planejados — como cadeiras e quadros — com compartimentos ocultos. Parte do entorpecente era a chamada “cocaína negra”, uma variação do entorpecente tradicional, tratada com substâncias como carvão.
Segundo o delegado-geral da PC-AM, Bruno Fraga, cada quilo da cocaína negra pode valer até 100 mil dólares no mercado internacional, justamente por ser mais difícil de ser identificada. A substância teria origem no Peru e passaria por um processo químico para ser camuflada antes de ser transportada.
Localização estratégica


De acordo com o diretor do Departamento de Investigação sobre Narcóticos (Denarc), delegado Rodrigo Torres, a casa usada como depósito está localizada próxima ao rio, o que facilitava a entrada e saída de mercadorias ilegais por embarcações.
“As investigações apontaram que o imóvel era utilizado para estocar drogas que seriam enviadas tanto para o mercado interno quanto para fora do país. O uso de móveis com fundos falsos mostra uma estratégia cada vez mais elaborada do tráfico para driblar a fiscalização”, explicou Torres.
Prisão e continuidade das investigações
O casal preso tem antecedentes criminais e já responde a outros processos. Após audiência de custódia, a Justiça converteu a prisão em flagrante em prisão preventiva. Eles devem responder pelos crimes de tráfico de drogas e associação para o tráfico.
As investigações continuam para identificar outras pessoas envolvidas, especialmente os responsáveis pela droga no exterior.
O que foi apreendido
- 16 kg de cocaína “comum”, avaliados em R$ 1,2 milhão
- 34 kg de cocaína negra, com valor estimado de R$ 18,3 milhões
- Cadernos com anotações relacionadas ao tráfico
- Balança de precisão
O prejuízo estimado ao crime organizado é de R$ 19,5 milhões, segundo a Polícia Civil.






